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Crítica

Lido Pimienta

: "Caribenya"

Ano: 2026

Selo: ANTI-

Gênero: Art Pop

Para quem gosta de: Bomba Estéreo e Buscabulla

Ouça: Libélula, Talento e Así Nascí

7.7
7.7

Lido Pimienta: “Caribenya”

Ano: 2026

Selo: ANTI-

Gênero: Art Pop

Para quem gosta de: Bomba Estéreo e Buscabulla

Ouça: Libélula, Talento e Así Nascí

/ Por: Cleber Facchi 25/08/2026

Sempre que você espera algo de Lido Pimienta, a cantora colombiana entrega o oposto disso. Depois de se aventurar pela música erudita no ambicioso La Belleza (2025), a artista radicada no Canadá percorre uma trilha diferente em Caribenya (2026, ANTI-). O lirismo decolonial e contestador ainda é o mesmo do álbum anterior, mas a maneira como a artista organiza suas ideias segue uma abordagem completamente distinta.

Em Caribenya, a musicista prioriza a canção, investindo em um repertório cada vez mais direto. A própria escolha em fazer de Tóxica a primeira composição do disco a ser revelada ao público torna isso bastante explícito. Enquanto os versos refletem sobre diferentes formas de relacionamentos tóxicos, a base voltada à cúmbia destaca o que há de mais acessível no colorido repertório que vem sendo elaborado por Pimienta.

É como um ensaio para o que se reflete de forma ainda mais radiofônica em Talento. Inspirada em Sálvame, do grupo mexicano RBD, e repleta de acenos para a obra de Julieta Venegas, a canção evidencia o domínio de Pimienta na elaboração de faixas que grudam logo em uma primeira audição. Da produção melódica do Grupo JeJeJe e Amigos Poderosos à inserção sempre calculada das vozes da artista, tudo salta aos ouvidos.

Claro que, nesse esforço em dialogar com uma parcela ainda maior do público, Pimienta acaba esbarrando em canções menos impactantes ou desprovidas do mesmo capricho presente no restante da obra. É o caso de Hoy Por Ti, colaboração com Nelly Furtado que peca pelo lirismo e a produção reducionista. Entretanto, sempre que tropeça em uma composição menor, a musicista oferece uma contraparte que eleva o material.

Em Marea, por exemplo, é o uso destacado das batidas e o criativo diálogo com as pistas que levam o disco para outras direções. Já em Libélula, com Ana Macho, e Así Nascí, a artista desacelera para destacar o lado contemplativo da obra. Surgem ainda preciosidades como a derradeira No Me Quiero Ir, composição que não apenas pontua o trabalho com excelência, como ainda se conecta aos temas orquestrais de La Belleza.

Apesar de todas essas movimentações, Caribenya jamais apresenta algo de transgressor, resgatando uma série de elementos originalmente testados nos trabalhos anteriores da cantora, como La Papessa (2016) e Miss Colombia (2020). Ainda assim, a maneira como Pimienta organiza suas ideias e amplia a atuação em estúdio torna tudo fascinante, como uma expansão permanente da própria identidade cultural e estética.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.