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Crítica

Lucas Santtana

: "Brasiliano"

Ano: 2026

Selo: Nø Førmat

Gênero: MPB

Para quem gosta de: Curumin e Céu

Ouça: A História Da Nossa Língua e Línguas Gerais

7.5
7.5

Lucas Santtana: “Brasiliano”

Ano: 2026

Selo: Nø Førmat

Gênero: MPB

Para quem gosta de: Curumin e Céu

Ouça: A História Da Nossa Língua e Línguas Gerais

/ Por: Cleber Facchi 20/04/2026

Misto de celebração ao aniversário de 25 anos de carreira de Lucas Santtana e atenta investigação sobre a identidade linguística brasileira, Brasiliano (2026, Nø Førmat) se aprofunda em temas como a formação da língua, poder, apagamento cultural e pertencimento de maneira sempre curiosa. É como mergulhar em um novo objeto temático, proposta recorrente na obra do compositor baiano, porém de forma nada limitante.

Cantado em oito idiomas – brasiliano (português do Brasil), tupi-guarani, occitano, francês, galego, italiano, espanhol e crioulo da Guiné-Bissau –, o sucessor de O Paraíso (2023) deixa de lado a temática ambientalista do registro que o antecede para se aventurar em novos territórios. Inspirado pelo livro Latim em Pó (2022), de Caetano Galindo, Santtana trata da língua como se fosse um ser feminino que nasce na região de Lazio-Itália, onde o latim tornou-se parte fundamental do Império Romano, e viaja até encontrar o Tupi-Guarani.

Partindo dessa jornada poética, sonora e metalinguística, o compositor aproveita para estreitar laços com parceiros de longa data e artistas vindos de diferentes campos da música. A própria escolha de Gilberto Gil, que introduziu Santtana na cena musical por meio do Acústico MTV, exemplifica isso. Colaboradores na introdutória A História da Nossa Língua, os conterrâneos apontam a direção para o restante do trabalho.

São composições que alternam entre questões políticas e momentos de maior delicadeza, evidenciando a versatilidade de Santtana. Em Línguas Gerais, por exemplo, parceria com a artista indígena Tainara Takua e o rapper francês Oxmo Puccino, o músico critica discursos xenófobos e racistas na França. Já em Ver Meu Povo se Abraçar, com Chico César, o cantor resgata os festejos de São João e suas origens europeias.

Surgem ainda nomes como o artista italiano Dimartino (Strati di Tempo), a dupla francesa Cocanha (Liga), a cantora Rachel Reis (Eu Ainda Te Amo) e o grupo Os Paralamas do Sucesso (Que Seja Um Reggae) que, em maior ou menor intensidade, auxiliam Santtana na construção temática do trabalho. O destaque acaba ficando por conta da Karyna Gomes, cantora da Guiné-Bissau que assume parte dos versos na decolonial Independência, faixa que enfatiza a necessidade do Brasil em reconhecer sua independência linguística.

Liricamente marcado pelo forte caráter exploratório, Brasiliano encanta pela riqueza poética de Santtana e seus parceiros, porém peca pelo discreto acabamento instrumental. Autor de álbuns complexos como Sem Nostalgia (2009) e O Deus Que Devasta Nas Também Cura (2012), o baiano até abraça o regionalismo em momentos estratégicos e utiliza elementos percussivos, mas nada tão impactante quanto a força da palavra.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.