Ano: 2026
Selo: Other Suns
Gênero: Música Ambiente
Para quem gosta de: Sigur Rós e Tycho
Ouça: Blister Sunrise e Feeding Time
Ano: 2026
Selo: Other Suns
Gênero: Música Ambiente
Para quem gosta de: Sigur Rós e Tycho
Ouça: Blister Sunrise e Feeding Time
Os últimos anos foram bastante confusos para quem acompanha a obra de M83. Passado o lançamento de Hurry Up, We’re Dreaming (2011), disco que revelou o trabalho de Anthony Gonzalez ao grande público, o músico francês passou a investir em registros que, de um jeito ou de outro, buscavam replicar aquilo que o multi-instrumentista havia alcançado no álbum que apresentou preciosidades como Midnight City e Wait.
Com a chegada de I Wrote You A Letter (2026), décimo e mais recente álbum de estúdio do M83, Gonzalez se afasta do mesmo universo criativo que rege suas criações há 15 anos, contudo, o resultado está longe de agradar. Passado o lançamento da introdutória Blister Sunrise, o músico se perde em um labirinto de sons e sensações que até incorporam movimentos bastante ousados, mas acabam morrendo no meio do caminho.
A própria Opera, vinda em sequência, exemplifica bem isso. Com quase sete minutos de duração, a música se organiza de forma a garantir um fechamento épico, porém perde fôlego e se desfaz nos momentos finais. É como se Gonzalez explorasse a mesma base instrumental de suas trilhas sonoras, mas livre do amparo imagético que naturalmente concede maior profundidade e expande os horizontes do compositor francês.
Ainda assim, I Wrote You A Letter tem seus momentos de inegável beleza. Em Feeding Time, por exemplo, além de destacar a inserção das batidas, componente escasso ao longo do material, Gonzalez utiliza a voz como um instrumento complementar, criando diálogos com o som exploratório de obras como Dead Cities, Red Seas & Lost Ghosts (2003) e outros registros apresentados pelo músico francês no começo do projeto.
Esse olhar para o passado, quando as canções eram menos orientadas aos vocais, vem do reencontro entre Gonzalez e Benoît de Villeneuve. Colaborador nos anos iniciais do M83, o músico ressurge como coautor do registro. O resultado desse processo está na entrega de um álbum orientado aos temas instrumentais, com versos que, quando incorporados, se perdem em meio a orquestrações que evocam nomes como Sigur Rós.
A questão é que, salvo exceções, como Siren / Behold… Beasts, com seu saxofone abrasivo e vozes em coro, grande parte do trabalho se estabelece a partir de canções ausentes de ritmo ou incapazes de comover o ouvinte. São criações paisagísticas que, vez ou outra, abrem passagem para a construção de músicas de maior destaque, mas que em nenhum momento dão conta de sustentar o repertório do disco por completo.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.