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Crítica

Mari Romano

: "Além da Pele"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: MPB, Pop Rock

Para quem gosta de: Sara Não Tem Nome e Jonas Sá

Ouça: Tudo Errado, Efeito Placenta e Paciência Para Amar

7.8
7.8

Mari Romano: “Além da Pele”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: MPB, Pop Rock

Para quem gosta de: Sara Não Tem Nome e Jonas Sá

Ouça: Tudo Errado, Efeito Placenta e Paciência Para Amar

/ Por: Cleber Facchi 02/07/2026

Mari Romano tem um jeito particular de encarar a música. Os versos nem sempre são os mais imediatos, os arranjos passeiam por diferentes estilos sem qualquer apego a um gênero específico, mas as coisas, de um jeito ou de outro, sempre funcionam. E isso fica ainda mais evidente com a chegada de Além da Pele (2026, Independente), trabalho que marca o retorno da musicista após nove anos sem um novo álbum de inéditas.

Sequência ao material entregue em Romance Modelo (2017), o registro de onze faixas é, ao mesmo tempo, o trabalho mais grandioso e compacto da musicista. Gravado em diferentes estúdios e sempre acompanhada por instrumentistas de peso, Romano, que nos últimos anos se dedicou à produção de trilhas sonoras, puxa para si boa parte das funções do material, indo da produção à elaborada assinatura dos arranjos de sopros.

O resultado desse processo está na entrega de um disco marcado pelo forte aspecto exploratório, por vezes esquisito, mas sempre fascinante. São faixas que trilham caminhos não óbvios, detalham conflitos internos e passeiam pela mente de Romano de um jeito bastante particular. Mesmo que algumas canções pareçam mais piadas internas, como em Maluco da Retronoia, há sempre um componente de diálogo com o ouvinte.

Em geral, são as canções que mais aproximam Romano do pop. Em Paciência Para Amar, por exemplo, é a confusão sentimental e a voz caprichada que evocam Marisa Monte. Já em Mosquito, cantada em inglês, é a fluidez rítmica e os versos existencialistas que capturam a atenção do ouvinte. É como um delirante jogo de sensações que muda de direção a todo instante, reforçando a completa versatilidade da artista em estúdio.

A própria Tudo Errado, logo na abertura do trabalho, funciona como uma boa representação desse curioso processo de criação da artista. Enquanto a base instrumental da composição dialoga com o new jack swing de nomes como Janet Jackson, versos que refletem sobre o colapso urbano e a crise ambiental se articulam de maneira totalmente pegajosa, capturando a atenção do ouvinte logo em uma primeira audição do disco.

É nesse misto de estranhamento e doce fascinação que Romano orienta a experiência do ouvinte durante toda a execução do trabalho. São canções que exigem uma atenção maior e algumas audições até surtirem efeito, mas que, pouco a pouco, acabam hipnotizando. “Eu sei, tem que ter / Paciência para me amar”, canta a artista em Paciência Para Amar, faixa que, mesmo sem querer, funciona como uma metáfora para o disco.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.