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Crítica

My New Band Believe

: "My New Band Believe"

Ano: 2026

Selo: Rough Trade

Gênero: Art Rock

Para quem gosta de: Black Country, New Road e Geese

Ouça: Love Story, Actress e In the Blink of an Eye

8.3
8.3

My New Band Believe: “My New Band Believe”

Ano: 2026

Selo: Rough Trade

Gênero: Art Rock

Para quem gosta de: Black Country, New Road e Geese

Ouça: Love Story, Actress e In the Blink of an Eye

/ Por: Cleber Facchi 22/04/2026

Com o fim das atividades do Black Midi, Cameron Picton decidiu investir em um novo projeto marcado por membros mutáveis, sonoridade menos abrasiva e narrativas cada vez mais complexas. O resultado desse processo está na entrega de My New Band Believe (2026, Rough Trade), trabalho que amplia os horizontes de possibilidades do músico e ainda destaca o forte aspecto intimista que orienta as criações do britânico.

Marcado pelo acabamento acústico, o registro de oito faixas estabelece logo na introdutória Target Practice parte dos elementos que serão incorporados no decorrer do trabalho. São diálogos com a música barroca e versos semi-declamados que se aprofundam em narrativas surrealistas, como se o artista entregasse as peças de um imenso quebra-cabeças sensorial que se completa apenas nas mentes dos próprios ouvintes.

Mesmo quando utiliza de uma abordagem mais direta, como em Actress, Picton nunca se entrega ao óbvio. Enquanto os versos descrevem um relacionamento desgastado com uma pessoa autodestrutiva, mentirosa e obcecada pelo próprio ego, arranjos complexos surgem e desaparecem a todo instante. São ecos de Van Dyke Parks e outros veteranos do pop de câmara, mas que nunca ocultam a identidade do músico inglês.

Exemplo disso fica evidente nos momentos de maior vulnerabilidade do trabalho, como na delicada Love Story. Mergulhado em orquestrações sublimes, o músico celebra a beleza da vida cotidiana e doméstica a dois, contrastando a simplicidade de preparar o jantar com uma profunda devoção romântica. Instantes em que Picton parte de uma abordagem acessível, mas encontra sempre um componente de ruptura criativa.

Claro que, nessa ânsia em tensionar a própria criação, Picton esbarra em composições desajeitadas ou que parecem simplesmente incapazes de igualar os momentos de maior grandeza do álbum. É o caso de Pearls, com seu acabamento incompleto, soando mais como um esboço do que uma canção finalizada. A própria One Night, escolhida para o encerramento do trabalho, se projeta de maneira reducionista e anticlimática.

Ainda assim, a estreia do My New Band Believe mantém a consistência e esmero na maior parte do tempo. Enquanto composições como In the Blink of an Eye evidenciam o domínio criativo e a técnica do artista em estúdio, outras, como Heart of Darkness, destacam a sensibilidade poética de músico. Um equilibrado jogo de sensações que inaugura uma nova fase e ainda revela a potência criativa de Picton em sua totalidade.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.