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Crítica

Nine Inch Nails / Boys Noize

: "Nine Inch Noize"

Ano: 2026

Selo: The Null Corporation

Gênero: Industrial, Eletrônica

Para quem gosta de: How To Destroy Angels e HEALTH

Ouça: Closer, Heresy e Parasite

7.8
7.8

Nine Inch Nails & Boys Noize: “Nine Inch Noize”

Ano: 2026

Selo: The Null Corporation

Gênero: Industrial, Eletrônica

Para quem gosta de: How To Destroy Angels e HEALTH

Ouça: Closer, Heresy e Parasite

/ Por: Cleber Facchi 05/05/2026

Depois de colaborar em um projeto secreto que nunca se concretizou, Trent Reznor, do Nine Inch Nails, convidou o produtor Alexander Ridha, o Boys Noize, a remixar a trilha sonora do filme Rivais (2024), de Luca Guadanino. Dessa parceria veio um novo convite, com Ridha coproduzindo a trilha sonora de Tron: Ares (2025), registro que ainda conta com a assinatura de Atticus Ross, parceiro de longa data de Reznor.

No meio desse processo, o Nine Inch Nails ainda embarcou em uma nova turnê, a Peel It Back Tour, com o Boys Noize como atração de abertura em todos os 63 shows que passaram pela Europa, Canadá e Estados Unidos. Inclinados a transportar para dentro de estúdio essa mesma energia das apresentações ao vivo, o trio deu vida ao Nine Inch Noize, projeto que lança pelo selo The Null Corporation seu primeiro trabalho.

Talvez frustrante para quem há tempos espera por um novo disco de inéditas do Nine Inch Nails, o material que se divide entre versões ao vivo e releituras para outros projetos de Reznor compensa pela intensidade. Enquanto as vozes ásperas e a produção industrial do músico norte-americano apontam a direção, o maior destaque para os sintetizadores e o uso de batidas rápidas, típicas de Ridha, ampliam os limites do registro.

Exemplo disso fica bastante evidente na nova roupagem de Parasite. Parte do autointitulado EP de estreia do How To Destroy Angels, a canção, adornada pelas vozes de Mariqueen Maandig, ganha novo impulso no intenso jogo de sintetizadores, batidas e texturas eletrônicas. É como se Reznor, abrandado por conta da série de trilhas sonoras produzidas nos últimos anos ao lado de Ross, tivesse o fôlego renovado por Ridha.

Mesmo velhas conhecidas no repertório do NIN, como Closer e Heresy, surgem reformuladas, destacando a fluidez dos elementos e o ritmo renovado do projeto. O grupo ainda aproveita para resgatar verdadeiras preciosidades como Memorabilia, releitura do Soft Cell que há tempos habita o Lado B da banda, além da ainda recente As Alive As You Need Me To Be, um dos primeiros registros da parceria do trio em estúdio.

Mais do que um desvio provisório ou um exercício de estilo, o álbum se sustenta pela forma como tensiona o repertório de Reznor sem descaracterizá-lo. Deliciosamente insano, como uma interpretação ainda mais frenética de tudo aquilo que o trio havia testado em conjunto na trilha sonora de Rivais, o disco escancara as potencialidades do Nine Inch Noize e deixa o caminho aberto para as futuras empreitadas do projeto.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.