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Crítica

OGermano

: "Virada de Chave"

Ano: 2026

Selo: Ogef

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Matchola e Luiz Barata

Ouça: Mensageiro de Zambi e Virada de Chave

8.2
8.2

OGermano: “Virada de Chave”

Ano: 2026

Selo: Ogef

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Matchola e Luiz Barata

Ouça: Mensageiro de Zambi e Virada de Chave

/ Por: Cleber Facchi 20/05/2026

No fim, tudo é sobre cultura negra, tudo veio do mesmo lugar”. A frase disparada por OGermano em um dos interlúdios de Virada de Chave (2026), segundo e mais recente trabalho de estúdio do rapper carioca, ajuda a entender aquilo que o artista busca desenvolver ao longo do material. São canções que transitam por diferentes estilos, criando uma ponte estratégica entre o samba e o rap nova-iorquino de forma autoral.

Sequência ao material entregue em As Crônicas De Um Neguin (2024), além, claro, do colaborativo Caça & Recompensa (2025), disco assinado em parceria com o rapper baiano Matchola, Virada de Chave organiza melhor as ideias do artista carioca sem deixar de arriscar. Da fina tapeçaria instrumental à construção dos versos, OGermano faz com que um universo criativo bastante particular pareça sempre aberto ao público.

Ainda que seja inevitável criar comparações entre a obra de OGermano e Marcelo D2, efeito direto da forte relação entre o samba e o rap, além da própria região de origem dos dois artistas, no bairro do Andaraí, as separações são bastante evidentes. Enquanto o veterano atravessa a cidade, o novato atravessa a si mesmo, partindo de tormentos pessoais para dialogar com o cenário ao redor ou mesmo celebrar suas conquistas.

Exemplo disso fica bastante evidente na própria faixa-título do disco. Completa pela participação do rapper Leall, a música que trata sobre amadurecimento, superação e mudança de mentalidade, usa dessa “virada de chave” como um componente de transformação e crescimento pessoal. Mesmo que muitas dessas ideias se repitam ao longo do álbum, como em Papai é Blabo e Jovem Samba, há sempre um elemento de ruptura.

Em Mensageiro de Zambi, por exemplo, é a produção empoeirada e a voz adicional de Luiz Barata que leva o disco para outras direções. Já em Mar, com sample impecável de Sob o Mar, da dupla Jaime e Nair, são os versos marcados pela vulnerabilidade que chamam a atenção do ouvinte. Nada que prejudique a entrega de composições deliciosamente descomplicadas, como Minha Nega Dança e a romântica Vagabundo Dela.

Atravessado pelo fino diálogo com diferentes nomes da cena brasileira, como o músico Pedro Mizutani e a cantora Jenni Rocha, Virada de Chave cresce na força do coletivo sem jamais diminuir o domínio criativo de OGermano. Responsável pela produção do disco, o rapper amarra tudo com requinte, proposta que não apenas transcende a riqueza de ideias dos álbuns anteriores, como testa novas possibilidades e vai além.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.