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Crítica

Phoebe Bridgers

: "Lost Weekend"

Ano: 2026

Selo: Dead Oceans

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Lucy Dacus e Julien Baker

Ouça: Kill Me, Bobby e I Can't Wait

8.6
8.6

Phoebe Bridgers: “Lost Weekend”

Ano: 2026

Selo: Dead Oceans

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Lucy Dacus e Julien Baker

Ouça: Kill Me, Bobby e I Can't Wait

/ Por: Cleber Facchi 21/08/2026

Lost Weekend (2026, Dead Oceans) não é um trabalho de respostas imediatas ou que seja solucionado em uma audição passageira. Pelo contrário, é um disco para ser habitado. Das texturas sintéticas às captações de campo e mensagens de voz que se escondem por entre as brechas do registro, cada mínimo fragmento contribui para o ambiente particular pensado para o terceiro álbum de Phoebe Bridgers em carreira solo.

Nascido de um intenso processo de transformação emocional, que inclui a morte do próprio pai e o início de um novo amor, o sucessor de Punisher (2020) concentra o que há de melhor na obra da cantora norte-americana. São canções consumidas pela dor, porém pontuadas por momentos de doce descompromisso e bom humor, proposta que impede o trabalho de pesar sobre o ouvinte mesmo nos instantes mais amargos.

Exemplo disso fica evidente em Bobby. Inspirada pelo relacionamento com o comediante Bo Burnham, com quem divide algumas das composições do disco, a faixa explora como uma relação feliz pode ser intuitiva, transformadora e também carregada de codependência, equilibrando humor e desconforto. É como se a musicista transitasse liricamente por vias cada vez menos óbvias, ampliando o próprio campo de atuação.

Entretanto, para além do evidente amadurecimento poético, o grande charme de Lost Weeknd está no fino acabamento instrumental do registro. Cada vez mais afastada do folk reducionista de Stranger In The Alps (2017), Bridgers investe em um repertório atravessado por ruídos eletrônicos, guitarras sujas, sintetizadores e bases densas que não apenas complementam, como potencializam a construção dos versos. Parte desse resultado vem da escolha da musicista em ampliar ainda mais o time de colaboradores dentro de estúdio.

Mais uma vez acompanhada de Tony Berg e Ethan Gruska, com quem colabora desde o primeiro registro, Bridgers cria pequenas aberturas para que nomes como Jack Antonoff, Alex G, Blake Mills, Conor Oberst e Jon Brion surjam ao longo da obra, levando o álbum para outras direções, como no experimentalismo de I Can’t Wait ou na soturna de Kill Me. Nada que prejudique a entrega de faixas íntimas dos antigos trabalhos, como The Governor’s Waltz, música em que reflete sobre o fim do relacionamento com o ator Paul Mescal.

Naturalmente, esse esforço em ampliar o próprio repertório resulta em um disco que se estende para além do necessário, revelando faixas como Never Goin Back e Other Plans que pouco se destacam em relação ao restante da obra. Ainda assim, o refinamento dado aos arranjos e a entrega explícita nos versos prevalecem na maior parte do trabalho, com Bridgers fazendo de Lost Weekend um novo e delicado exercício criativo.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.