Ano: 2026
Selo: New West
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Wednesday e Waxahatchee
Ouça: What’s Right? e Light Night Mountains All That
Ano: 2026
Selo: New West
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Wednesday e Waxahatchee
Ouça: What’s Right? e Light Night Mountains All That
Se em The Window (2023) os integrantes do Ratboys pareciam ter conquistado um importante ponto de maturação criativa, em Singin’ To An Empty Chair (2026, New West), a banda formada por Julia Steiner, David Sagan, Marcus Nuccio e Sean Neumann potencializa suas virtudes. Com a comunicação falha como elemento central, o grupo de Chicago se aprofunda na entrega de faixas marcadas pelo aspecto emocional.
“Para onde vai toda a dor / Quando nada existe?”, questiona Steiner em The World, So Madly, composição que sintetiza a forte carga emocional, sensação de deslocamento e angústias que orientam o trabalho da banda durante toda a execução do material. São versos sempre confessionais, como um doloroso exercício de exposição emocional que amplia tudo aquilo que o grupo tem testado desde a estreia com AOID (2015).
A diferença em relação a outros trabalhos do gênero está na leveza adotada pela banda. Da construção dos arranjos, passando pelas harmonias de vozes e guitarras melódicas, tudo parece pensado para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. São composições como Anywhere e Penny in the Lake que, mesmo consumidas por temas como ansiedade e o medo do abandono, nunca pesam sobre o ouvinte.
Claro que esses instantes de maior suavidade em nenhum momento interferem na entrega de faixas mais densas. É o caso de What’s Right?, canção que usa da metáfora da estrada para falar sobre escolhas difíceis e desgaste emocional. Esse mesmo direcionamento acaba se refletindo em Light Night Mountains All That, música que ainda surpreende pelo uso ruidoso das guitarras e texturas que evocam a boa fase do Wilco.
O mais interessante talvez seja perceber a forma como o quarteto incorpora diferentes tonalidades sem necessariamente fazer disso o estímulo para uma obra confusa ou desequilibrada. Parte desse resultado vem da escolha do grupo em, mais uma vez, trabalhar ao lado do produtor Chris Walla. Parceiro da banda desde o disco anterior, o ex-membro do Death Cab For Cutie extrai o que há de melhor no som do Ratboys. Canções que vão do country alternativo ao emo de maneira sempre consistente e musicalmente apurada.
Não se trata de algo transformador, afinal, muitos desses elementos têm sido incorporados por nomes como Wednesday e Waxahatchee em seus trabalhos mais recentes. Entretanto, tudo é explorado pelo Ratboys de maneira tão competente e liricamente honesta que é difícil não se deixar conduzir pelo registro. É como se a banda convidasse o ouvinte a permanecer nesse espaço conceitual de dúvida e sensibilidade, aceitando o desconforto não como obstáculo, mas como parte natural da própria existência e das relações humanas.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.