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Crítica

Ratboys

: "Singin’ To An Empty Chair"

Ano: 2026

Selo: New West

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Wednesday e Waxahatchee

Ouça: What’s Right? e Light Night Mountains All That

8.3
8.3

Ratboys: “Singin’ To An Empty Chair”

Ano: 2026

Selo: New West

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Wednesday e Waxahatchee

Ouça: What’s Right? e Light Night Mountains All That

/ Por: Cleber Facchi 11/02/2026

Se em The Window (2023) os integrantes do Ratboys pareciam ter conquistado um importante ponto de maturação criativa, em Singin’ To An Empty Chair (2026, New West), a banda formada por Julia Steiner, David Sagan, Marcus Nuccio e Sean Neumann potencializa suas virtudes. Com a comunicação falha como elemento central, o grupo de Chicago se aprofunda na entrega de faixas marcadas pelo aspecto emocional.

Para onde vai toda a dor / Quando nada existe?”, questiona Steiner em The World, So Madly, composição que sintetiza a forte carga emocional, sensação de deslocamento e angústias que orientam o trabalho da banda durante toda a execução do material. São versos sempre confessionais, como um doloroso exercício de exposição emocional que amplia tudo aquilo que o grupo tem testado desde a estreia com AOID (2015).

A diferença em relação a outros trabalhos do gênero está na leveza adotada pela banda. Da construção dos arranjos, passando pelas harmonias de vozes e guitarras melódicas, tudo parece pensado para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. São composições como Anywhere e Penny in the Lake que, mesmo consumidas por temas como ansiedade e o medo do abandono, nunca pesam sobre o ouvinte.

Claro que esses instantes de maior suavidade em nenhum momento interferem na entrega de faixas mais densas. É o caso de What’s Right?, canção que usa da metáfora da estrada para falar sobre escolhas difíceis e desgaste emocional. Esse mesmo direcionamento acaba se refletindo em Light Night Mountains All That, música que ainda surpreende pelo uso ruidoso das guitarras e texturas que evocam a boa fase do Wilco.

O mais interessante talvez seja perceber a forma como o quarteto incorpora diferentes tonalidades sem necessariamente fazer disso o estímulo para uma obra confusa ou desequilibrada. Parte desse resultado vem da escolha do grupo em, mais uma vez, trabalhar ao lado do produtor Chris Walla. Parceiro da banda desde o disco anterior, o ex-membro do Death Cab For Cutie extrai o que há de melhor no som do Ratboys. Canções que vão do country alternativo ao emo de maneira sempre consistente e musicalmente apurada.

Não se trata de algo transformador, afinal, muitos desses elementos têm sido incorporados por nomes como Wednesday e Waxahatchee em seus trabalhos mais recentes. Entretanto, tudo é explorado pelo Ratboys de maneira tão competente e liricamente honesta que é difícil não se deixar conduzir pelo registro. É como se a banda convidasse o ouvinte a permanecer nesse espaço conceitual de dúvida e sensibilidade, aceitando o desconforto não como obstáculo, mas como parte natural da própria existência e das relações humanas.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.