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Crítica

Robyn

: "Sexistential"

Ano: 2026

Selo: Konichiwa / Young

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Kylie Minogue e Madonna

Ouça: Dopamine, Rally Real e Sexistential

8.2
8.2

Robyn: “Sexistential”

Ano: 2026

Selo: Konichiwa / Young

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Kylie Minogue e Madonna

Ouça: Dopamine, Rally Real e Sexistential

/ Por: Cleber Facchi 08/04/2026

Robyn já foi muitas e, ao mesmo tempo, uma só. Da estrela pop em ascensão no introdutório Robyn Is Here (1995) à artista em busca de libertação no homônimo álbum de 2005, da garota com o coração partido em Body Talk (2010) à mulher que encara o luto com sobriedade em Honey (2018), cada novo trabalho revela a habilidade da cantora e compositora sueca em transformar as próprias vulnerabilidades em música pop.

Em Sexistential (2026, Konichiwa / Young), primeiro disco de inéditas da artista em oito anos, não poderia ser diferente. Inspirado pelo processo de gravidez tardia e a redescoberta do próprio corpo depois dos 40, o registro de nove canções transborda desejo, prazer feminino e, principalmente, bom humor da cantora. A própria faixa-título do trabalho, com Robyn relatando suas experiências em uma clínica de fertilização e o tesão pelo ator norte-americano Adam Driver, funciona como uma síntese criativa do restante do material.

Há também sentimento. A escolha de Really Real como música de abertura torna isso explícito. “Amor, fale como você se sente / É realmente, realmente real?”, questiona a artista em meio a versos que retratam um relacionamento em crise, marcado pela sensação de desconexão emocional e a dúvida sobre o que ainda é genuíno entre os dois. Instantes em que a cantora vai de um extremo a outro sem perder o controle criativo.

E isso tem um motivo. Para a realização do trabalho, Robyn mais uma vez uniu forças com o produtor Klas Åhlund, com quem tem colaborado desde os anos 2000 e sabe como extrair o melhor da artista sueca. A própria decisão em regravar Blow My Mind, originalmente lançada como parte do álbum Don’t Stop The Music (2002), evidencia esse equilíbrio de forças, diferentes temáticas e referências que abastecem o disco.

Independentemente da direção percorrida em estúdio, prevalece em Sexistential o domínio da cantora em relação ao pop. A cada curva do álbum, há sempre uma canção inescapável. Dos versos que tratam sobre o desejo irracional e a consciência real em Dopamine, ao fino toque de melancolia em Sucker for love e Talk To Me, sobram momentos que mostram por que a artista é uma das mais influentes e celebradas do gênero.

Claro que isso não a exime de alguns tropeços ao longo do disco. Em It Don’t Mean a Thing, por exemplo, é o minimalismo excessivo, quase preguiçoso, que apaga a canção. A própria Talk To Me, mesmo liricamente atrativa, peca pela forte similaridade com os sintetizadores e batidas da era Body Talk. Pequenas repetições estilísticas que diminuem o impacto da obra, mas nunca a força da mensagem e a nítida entrega de Robyn.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.