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Crítica

Saint Etienne

: "International"

Ano: 2025

Selo: Heavenly

Gênero: Indie Pop, Eletrônica

Para quem gosta de: Pet Shop Boys e Tracey Thorn

Ouça: Brand New Me, Fade e Take Me To The Pilot

7.5
7.5

Saint Etienne: “International”

Ano: 2025

Selo: Heavenly

Gênero: Indie Pop, Eletrônica

Para quem gosta de: Pet Shop Boys e Tracey Thorn

Ouça: Brand New Me, Fade e Take Me To The Pilot

/ Por: Cleber Facchi 07/01/2026

Durante três décadas, os parceiros Sarah Cracknell, Bob Stanley e Pete Wiggs fizeram do Saint Etienne um projeto marcado pelo uso de boas melodias e canções que alternavam entre as pistas e momentos de maior contemplação. Satisfatório perceber em International (2025, Heavenly), trabalho que pontua a carreira do trio inglês, um acúmulo natural de todos esses elementos que revelaram o grupo no começo dos anos 1990.

Sequência ao material entregue em The Night (2024), o registro foi pensado para que o grupo encerrasse as atividades do Saint Etienne de forma positiva. E eles conseguem. Durante os mais de 40 minutos em que percorremos o repertório de International, somos presenteados com uma sequência de faixas que, mesmo agridoces, despertam boas sensações, detalhando o som pop aperfeiçoado pela banda ao longo dos anos.

A própria escolha de Glad como composição de abertura do disco torna isso bastante explícito. Enquanto os versos tratam sobre encontrar pequenos lampejos de esperança na simples experiência de estar vivo e nos prazeres do cotidiano, batidas destacadas, o uso de metais e a produção adicional de Tom Rowlands (The Chemical Brothers) revelam a capacidade do trio em capturar a atenção do ouvinte sem dificuldades.

E isso é apenas o começo. Em Fade, o trio desacelera para tratar sobre o desejo de permanecer e a amarga percepção de que os sentimentos já não são os mesmos, como uma metáfora para as atividades da própria banda. Já em Take Me To The Pilot, o grupo se entrega às pistas enquanto explora a ânsia por mudança e a busca por transformação, apontando caminhos para o futuro de cada um dos integrantes do Saint Etienne.

Embora parta de uma abordagem bastante particular do trio inglês, International se abre para a chegada de diferentes parceiros criativos. É o caso do grupo australiano Confidence Man, com quem o grupo divide a ensolarada Brand New Me, uma das mais acessíveis do trabalho. Quem também dá as caras é o cantor e compositor britânico Nick Heyward, parceiro da banda em The Go Betweens, logo na abertura do material.

Pontuado de maneira simbólica por The Last Time, International é tanto uma amarga despedida como uma doce celebração à obra do Saint Etienne. Do momento em que tem início, em Glad, até alcançar os acordes finais, cada fragmento do disco resgata elementos característicos do trio sem sucumbir à nostalgia barata ou ao conforto excessivo, encerrando com notável elegância o que foi inaugurado em Foxbase Alpha (1991).

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.