Ano: 2026
Selo: Exódia Entertainment
Gênero: Rap
Para quem gosta de: Febem e Fleezus
Ouça: Lili, Gênio e Impedimento
Ano: 2026
Selo: Exódia Entertainment
Gênero: Rap
Para quem gosta de: Febem e Fleezus
Ouça: Lili, Gênio e Impedimento
Se em 40°.40 (2020) SD9 buscava sobreviver em um cenário dominado pela violência urbana e paisagens paradisíacas, em Fenômeno (2026), o rapper carioca mergulha fundo nas próprias inquietações. Utilizando as lesões e a recuperação do ex-futebolista Ronaldo Nazário como metáfora, o artista mergulha em conflitos emocionais, relacionamentos incertos, dores e memórias traumáticas que o acompanham desde a infância.
“Quero soltar minha mente dessas correntes”, reflete o artista logo nos minutos iniciais do disco, em Sonhos e Pesadelos. Síntese poética de tudo aquilo que SD9 busca desenvolver ao longo da obra, a canção funciona como um passeio pelas perturbações que invadem a cabeça do rapper. São versos que refletem sobre tudo aquilo que o artista conquistou desde o registro anterior, porém atravessados pelo contato com a realidade.
É como se o SD9 pervertesse a ordem natural do próprio rap, com artistas que costumeiramente partem de uma estreia dura e documental para, no trabalho seguinte, ostentar suas conquistas e excessos. “Qual tipo de MC o SD tem que ser pra ser milionário?”, questiona o rapper em Automedicação, música que, mais uma vez, destaca o caráter contemplativo que orienta a construção dos versos até os minutos finais do registro.
Uma vez imerso nesse território consumido pelas emoções, SD9 vai de reflexões sobre a perda precoce da inocência, em Jovem demais, aos impactos da violência urbana e do encarceramento mental, base para Lili, em um delicado exercício de vulnerabilidade. Mesmo quando busca se erguer liricamente, como em Gênio, há sempre um componente de dor e duro contato com a realidade que contrasta a elaboração dos versos.
Esse ziguezaguear de ideias e fluxos interrompidos de pensamentos acabam se refletindo na própria base instrumental do registro. Com produção de CESRV, Fenômeno parte de uma arquitetura minimalista, mas a todo momento esbarra em um novo estilo musical. Alguns, como o Miami bass em Impedimento, parecem alinhados ao universo sonoro de SD9. Já outros, como o pagodão baiano, na inusitada Malícia, convencem pelo natural capricho do produtor paulistano, mas parecem deslocados dentro do repertório do trabalho.
Mesmo pontuado por esses momentos de maior fragilidade e canções que estendem o trabalho para além do necessário, como no eixo final do registro, Fenômeno acerta justamente ao não repetir as mesmas ideias apresentadas em 40º.40. Cada vez mais distante do grime, SD9 amplia os próprios horizontes em um disco que não apenas escancara as potencialidades do artista, como o expõe por completo pela primeira vez.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.