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Crítica

Searows

: "Death In The Business Of Whaling"

Ano: 2026

Selo: Last Recordings on Earth

Gênero: Folk Rock

Para quem gosta de: Phoebe Bridgers e Ethel Cain

Ouça: Dearly Missed e Photograph of a Cyclone

7.6
7.6

Searows: “Death In The Business Of Whaling”

Ano: 2026

Selo: Last Recordings on Earth

Gênero: Folk Rock

Para quem gosta de: Phoebe Bridgers e Ethel Cain

Ouça: Dearly Missed e Photograph of a Cyclone

/ Por: Cleber Facchi 12/02/2026

Ainda que seja fácil pensar em Phoebe Bridgers e outros nomes recentes ao mergulhar nas composições de Death In The Business Of Whaling (2026, Last Recordings on Earth), Alec Duckart segue uma proposta bem diferente com o Searows. Segundo e mais recente trabalho do cantor e compositor norte-americano, o registro deixa de lado a leveza e a habitual ironia de outros compositores para investir em uma obra densa.

Enquanto a base instrumental, sempre paisagística e soturna, evoca as canções acústicas de Grouper, o uso de versos marcados por referências literárias e narrativas trágicas dialoga diretamente com as canções de Ethel Cain. O próprio título do trabalho foi extraído de um trecho de Moby Dick (1851), de Herman Melville, reforçando a intensa dramaticidade que orienta as composições do músico radicado em Portland, Oregon.

São canções que se aprofundam em personagens fragilizados, rodeados por imagens de aprisionamento e inadequação, como o estômago de uma baleia ou um barco afundado, habitando um meio-termo emocional sem catarse ou otimismo fácil. Frações poéticas, como na dolorosa Dirt, que utilizam construções visuais e líricas como metáforas para as angústias de Duckart e a relação do artista com a própria transexualidade.

E é ilusão, mas é pacífico / Que este corpo não é seu”, canta Duckart em um dos momentos mais sensíveis do disco. É como se o músico seguisse de onde parou há quatro anos, durante o lançamento do introdutório Guard Dog (2022), porém, partindo de uma abordagem ainda mais tocante e intimista. A própria Belly Of The Whale, com seus versos claustrofóbicos que inauguram o trabalho, indica isso com bastante clareza.

Pena que, nem sempre, Duckart pareça traduzir isso musicalmente com a mesma competência. Em geral, são canções exageradamente contidas, belas, porém incapazes de igualar a mesma sensibilidade explícita nos versos. Exemplo disso fica ainda mais evidente quando o artista se liberta de toda e qualquer amarra, como em Photograph of a Cyclone e a catártica Dearly Missed, demonstrando a real grandeza do material.

Embora marcado por pequenas oscilações estruturais que evidenciam o descompasso entre os arranjos e versos, Death In The Business Of Whaling é uma obra inescapável. Seja nos momentos de maior densidade, como em In Violet, ou em canções radiantes, caso de Junie, Duckart, sempre acompanhado pelo produtor Trevor Spencer, mantém firme o domínio e o forte aspecto emocional que orienta a execução do trabalho.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.