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Crítica

Slayyyter

: "Worst Girl In America"

Ano: 2026

Selo: Records / Columbia

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Charli XCX e Kim Petras

Ouça: Beat Up Chanels, Old Technology e Crank

7.7
7.7

Slayyyter: “Worst Girl In America”

Ano: 2026

Selo: Records / Columbia

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Charli XCX e Kim Petras

Ouça: Beat Up Chanels, Old Technology e Crank

/ Por: Cleber Facchi 13/04/2026

Worst Girl In America (2026, Records / Columbia) é uma obra de excessos. Terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Slayyyter, o registro não apenas preserva a essência eufórica dos antigos trabalhos da norte-americana, como vai além. São composições que seguem de onde a artista parou em Starfucker (2023) e incorporam novas referências de forma ainda mais intensa e caótica.

Com Dance como música de abertura do disco, Slayyyter revela parte dos elementos que serão explorados ao longo da obra. Enquanto os versos detalham o sentimento de libertação após um relacionamento tóxico, batidas destacadas e sintetizadores ascendentes trazem de volta a mesma atmosfera eufórica que marca os primeiros trabalhos de artistas como Justice e SebastiAn. É como um insano cruzamento de informações.

A partir desse ponto, cada nova composição leva o álbum para uma direção diferente. Em Beat Up Chanels, são sintetizadores frenéticos e batidas que conduzem o ouvinte em direção às pistas. Minutos à frente, em Gas Station, melodias estilizadas fazem lembrar o som torto do Crystal Castles. Já em Old Technology, é a letra hedonista e a produção exagerada, típica do hyperpop, que orienta o trabalho da artista em estúdio.

Embora parta de uma abordagem deliciosamente exagerada, Slayyyter nunca perde o controle da própria criação. Do uso das vozes, sempre marcadas pelo auto-tune, passando pela construção das batidas e até a escolha dos timbres dos sintetizadores, perceba como tudo orbita um mesmo universo criativo. Canções que vão de um canto a outro, mas nunca rompem com o que parece estruturado na introdutória Dance.

Outro elemento bastante característico do trabalho de Slayyyter em Worst Girl In America diz respeito aos momentos de maior vulnerabilidade da cantora. Mesmo marcado pelo direcionamento festivo, o registro nunca deixa de dialogar com o ouvinte por meio dos sentimentos. São canções como Unknown Loverz e Brittany Murphy que destacam a atuação da artista como compositora, ampliando os limites do material.

Dessa forma, mesmo que seja possível criar paralelos entre a obra de Slayyyter e outros nomes recentes da música pop, principalmente Charli XCX durante a era Brat (2024), prevalece em Worst Girl In America a identidade criativa da estadunidense. Não se trata de algo exatamente novo, afinal, ecos de outros artistas podem ser percebidos durante toda a execução do álbum. A diferença é que, pela primeira vez, a cantora parece capaz de organizar suas ideias, fazendo dessa propositada desordem um estímulo para o material.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.