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Crítica

Tatá Aeroplano

: "Lendas e Sol"

Ano: 2026

Selo: Discos Voadores

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Bárbara Eugênia e Júpiter Maçã

Ouça: Lendas e Sol e Mistérios Que Sopram Vapor No Final

7.5
7.5

Tatá Aeroplano: “Lendas e Sol”

Ano: 2026

Selo: Discos Voadores

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Bárbara Eugênia e Júpiter Maçã

Ouça: Lendas e Sol e Mistérios Que Sopram Vapor No Final

/ Por: Cleber Facchi 30/06/2026

Em geral, os trabalhos de Tatá Aeroplano se dividem entre discos hedonistas, como Boate Invisível (2023), e registros que destacam o lado contemplativo do músico, caso do pandêmico Delírios Líricos (2020). Mais recente álbum de estúdio do cantor e compositor paulista, Lendas e Sol (2026, Discos Voadores) pode até pender para esse segundo grupo, porém segue uma trilha diferente em relação a outras criações do artista.

Composto em quartos de hotel, durante as apresentações de Aeroplano com o show Andarilho Urbano, em que subia ao palco no formato voz e violão, o registro de oito faixas parte de uma abordagem reducionista para explorar com sobriedade os tormentos do artista. São composições marcadas por amores incertos e momentos de solidão, mas que chamam a atenção pela clareza das ideias e profunda exposição do músico.

E a solidão me pegou”, repete Aeroplano na introdutória faixa-título, composição que apresenta parte dos elementos que orientam a experiência do ouvinte durante toda a execução do disco. Acompanhado pelos músicos Bruno Buarque, Dustan Gallas e Junior Boca, o cantor mergulha em uma obra talvez simplista do ponto de vista instrumental, mas que fortalece justamente o componente central de Lendas e Sol: a palavra.

Exemplo disso pode ser percebido em Palavra Cantada Memória. Entre interpolações nada discretas com a obra de Cazuza e trechos metalinguísticos, a composição simplesmente cessa o uso dos instrumentos para destacar aquilo que é cantado por Aeroplano. É como se o artista, pela primeira vez em duas décadas de carreira, se revelasse por completo, despido do véu lisérgico e dos delírios cósmicos dos antigos trabalhos.

Naturalmente, essa mudança de abordagem tem seus riscos, com Aeroplano investindo em um trabalho de ritmo lento, por vezes arrastado e estruturalmente repetitivo, rompendo com a completa fluidez dos discos anteriores. Entretanto, sempre que começa a perder fôlego, o músico surpreende com alguma composição menos contida. É o caso da divertida Help Help Help, canção que destaca o lado mais acessível do cantor.

Entretanto, é no equilíbrio entre esses dois extremos que o álbum cresce. Em Mistérios Que Sopram Vapor No Final, por exemplo, Aeroplano mantém firme o ritmo da obra sem comprometer a densidade dos versos que celebram a permanência dos sonhos, da imaginação infantil e dos mistérios que continuam guiando a existência. Um harmonioso jogo estilístico, lírico e sonoro que revela uma nova faceta do músico paulista.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.