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Crítica

This Is Lorelei

: "Box For Buddy, Box For Star"

Ano: 2024

Selo: Double Double Whammy

Gênero: Indie

Para quem gosta de: Chanel Beads e Alex G

Ouça: I'm All Fucked Up e Where's Your Love Now

8.3
8.3

This Is Lorelei: “Box For Buddy, Box For Star”

Ano: 2024

Selo: Double Double Whammy

Gênero: Indie

Para quem gosta de: Chanel Beads e Alex G

Ouça: I'm All Fucked Up e Where's Your Love Now

/ Por: Cleber Facchi 09/07/2024

Mesmo conhecido pelo trabalho como uma das metades do Water From Your Eyes, projeto dividido com a cantora e compositora nova-iorquina Rachel Brown, foi com o This Is Lorelei que Nate Amos entregou ao público algumas de suas melhores e mais estranhas criações. São dezenas de registros que se acumulam desde o início da década passada, quando começou a publicar suas composições. É como um longo ensaio para o que se concretiza com a chegada de Box For Buddy, Box For Star (2024, Double Double Whammy).

Primeiro registro oficial do músico estadunidense, o álbum de dez faixas funciona tanto como um acumulo natural de tudo aquilo que Amos tem incorporado ao longo da última década, como um explícito ponto de maturação e refino em relação ao próprio repertório. São canções que ainda continuam a vagar pelos mais variados estilos, sem a pressão e consistência talvez esperada de um álbum do gênero, porém, totalmente livres da habitual atmosfera caseira que parecia orientar o vasto catálogo de obras acumuladas pelo artista.

Mais do que isso, Box For Buddy, Box For Star é um trabalho em que Amos melhor organiza e interpreta os próprios sentimentos. “E estou mais feliz agora / Muito depois que nosso amor acabou / Mas você me fez um buraco que pensei que não poderia consertar“, confessa em Where’s Your Love Now, música em que sintetiza parte dessas emoções com uma sobriedade poucas vezes antes vista dentro do próprio repertório. Nada que prejudique o lirismo inconsequente tão característico dos antigos lançamentos do This Is Lorelei.

Você sabe que algumas pessoas gostariam de ir / Sim, elas gostariam de fugir / Mas, você está todo fodido e quer ficar aqui comigo“, canta na enérgica I’m All Fucked Up, música que destaca a capacidade do artista em criar canções tão radiantes e acessíveis quanto deliciosamente sujas. São versos sempre confessionais, como um diálogo direto de Amos com o próprio ouvinte, proposta que faz lembrar da mesma honestidade e transparência explícita na obra de veteranos como Elliott Smith e Stephin Merritt (The Magnetic Fields).

A diferença está na maneira como Amos consegue ser ainda mais versátil, como em Dancing in the Club, faixa em que alterna entre momentos de doce lirismo (“Eu perdi seu amor hoje / Em uma brisa solitária de verão“) e versos tão diretos quanto aqueles compartilhados com um amigo em uma mensagem de texto (“Sim, um perdedor nunca vence / E eu sou um perdedor, sempre fui“). Canções que mais parecem um passeio torto pela mente do artista, evidenciando a riqueza de ideias que move o repertório do trabalho.

Embora abrangente em se tratando da força dos sentimentos e temáticas que abastecem o disco, Box For Buddy, Box For Star talvez seja o trabalho mais conciso e coeso já produzido por Amos. Da distribuição das faixas, que alternam entre momentos de melancolia e maior libertação, passando pela escolha dos timbres e arranjos que se conversam mesmo na multiplicidade de estilos, evidente é o esforço do compositor em se libertar criativamente em estúdio, porém, estabelecendo um fino toque de ordem no próprio caos pessoal.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.