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Crítica

Visible Cloaks

: "Paradessence"

Ano: 2026

Selo: Rvng Intl.

Gênero: Eletrônica, Música Ambiente

Para quem gosta de: Huerco S. e Oneohtrix Point Never

Ouça: Steel, Disque e Thinking

8.0
8.0

Visible Cloaks: “Paradessence”

Ano: 2026

Selo: Rvng Intl.

Gênero: Eletrônica, Música Ambiente

Para quem gosta de: Huerco S. e Oneohtrix Point Never

Ouça: Steel, Disque e Thinking

/ Por: Cleber Facchi 18/06/2026

Se em Reassemblage (2017) a tecnologia era a solução, em Paradessence (2026, RVNG Intl.) ela é parte do problema. Primeiro registro de inéditas do Visible Cloaks em nove anos, o trabalho preserva a relação dos produtores Spencer Doran e Ryan Carlile com a música eletrônica, entretanto chama a atenção pela forma como os dois artistas destacam o acabamento orgânico e as relações humanas de maneira sempre sensível.

Não por acaso, para a elaboração do trabalho, as texturas eletrônicas e ruídos sintéticos do álbum anterior ficam em segundo plano. O destaque acaba ficando por conta dos arranjos de cordas, sopros e fragmentos de vozes que invadem as faixas. É como se Doran e Carlile, sempre atentos aos detalhes, fossem ainda mais meticulosos, tecendo uma fina tapeçaria instrumental que se estende da primeira à última canção do disco.

Essa íntima relação entre as composições é outra marca do repertório de Paradessence. Diferente do disco anterior, em que havia um claro interesse na produção de músicas distintas, Doran e Carlile se articulam na entrega de um trabalho homogêneo. Do tratamento dado aos sintetizadores, passando pela elaboração das bases, estruturas rítmicas e ambientações etéreas, perceba como tudo parece orbitar um mesmo universo.

Claro que isso tem seus riscos. Por se tratar de uma obra bastante uniforme, não é difícil se perder entre as faixas e tropeçar nas pequenas repetições estruturais do registro. E os dois produtores sabem disso. Não por acaso, Doran e Carlile abrem passagem para a chegada de diferentes parceiros criativos, proposta que rompe com a aparente morosidade do material e leva o repertório de Paradessence para outras direções.

Em Thinking e Shapes, por exemplo, são nomes como Félicia Atkinson, Yoshio Ojima e Satsuki Shibano que atravessam a delicada sequência de faixas. Já em Disque, é o produtor Motion Graphics que complementa o trabalho da dupla, destacando a sutileza dos sintetizadores enevoados que apontam para a produção dos anos 1980 com nostalgia. Nada que diminua o impacto das canções assinadas apenas por Doran e Carlile.

São preciosidades como Balloon, com suas texturas que parecem ronronar nos ouvidos, e meticulosa Steel, com maior destaque para as cordas, que evidenciam o detalhamento dos dois artistas. Não se trata de nada transgressor, mas profundamente sensível. É como se, em tempos de inteligências artificiais e obras criadas digitalmente, a dupla seguisse o caminho oposto, revelando um álbum marcado pelo acabamento humano.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.