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Crítica

Worldpeace DMT

: "Stick Around For Tea"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: Friko e This Is Lorelei

Ouça: Gabriel, Stick Around For Tea e Ivy

8.2
8.2

Worldpeace DMT: “Stick Around For Tea”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: Friko e This Is Lorelei

Ouça: Gabriel, Stick Around For Tea e Ivy

/ Por: Cleber Facchi 28/10/2026

Pouco mais de um ano após a entrega do primeiro trabalho de estúdio, The Velvet Underground & Rowan (2025), Leo Fincham e Rowan Please melhor organizam suas ideias no álbum Stick Around For Tea (2026). Segundo disco de inéditas do Worldpeace DMT, o registro preserva o caráter exploratório da dupla inglesa, porém estabelece no diálogo com o pop o principal componente criativo para o fortalecimento do material.

Assim como Friko e outros projetos marcados pelo caráter revivalista, Fincham e Please firmam suas bases no indie pop produzido entre o fim da década de 1990 e começo dos anos 2000. São ecos de artistas como The Magnetic Fields, Belle and Sebastian e Camera Obscura, porém adaptados ao universo sonoro do duo. Um exercício nostálgico, mas nunca saudosista ou derivativo, como um acúmulo das referências da banda.

A principal diferença em relação ao material entregue em The Velvet Underground & Rowan está na forma como Fincham e Please investem na canção. Exemplo disso pode ser percebido em Gabriel, faixa que trata sobre acolhimento, afeto e cura, enquanto dedica seus versos a alguém que passou por momentos difíceis. Em geral, são formas simples, mas que se revelam de maneira grandiosa, capturando a atenção do ouvinte.

O mesmo pode ser percebido minutos à frente, em Ivy. Inaugurada de forma tímida, a canção ganha forma e cresce aos poucos, culminando em um fechamento grandioso que evoca a obra do Broken Social Scene. Claro que essa mudança de abordagem, também explícita em criações mais encorpadas, como Thank You e a própria faixa-título, não interfere na produção de músicas curtas, deliciosamente tortas e experimentais.

Em Ringtone, por exemplo, coros de vozes, cordas e bases irregulares se entrelaçam em meio a versos que misturam o desejo de conexão afetiva, tecnologia e a busca espiritual por paz interior. É como se Fincham e Please condensassem diferentes ideias dentro de faixas essencialmente curtas e imediatas. Canções que se resolvem em intervalos de um a dois minutos, revelando o poder de síntese e a riqueza temática da dupla.

Ainda que muitos desses elementos se articulem de forma aleatória e confusa, principalmente nos minutos iniciais do trabalho, quanto mais nos familiarizamos com a proposta da banda, mais somos seduzidos pelo repertório do Worldpeace DMT. Do momento em que tem início, em School’s Out, tudo passa a orbitar um universo tão particular quanto convidativo, como se cada faixa abrisse passagem para um novo território.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.