Ano: 2026
Selo: 4AD
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Model/Actriz e Battles
Ouça: Stillness Blues, Ballerina e Innocent Sigh
Ano: 2026
Selo: 4AD
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Model/Actriz e Battles
Ouça: Stillness Blues, Ballerina e Innocent Sigh
Se em 45 Pounds (2025) os membros do YHWH Nailgun borraram os limites estilísticos da própria obra ao combinar diferentes gêneros dentro de cada composição, em Magazine (2026, 4AD), o grupo nova-iorquino brinca com a questão do formato. Sequência ao material entregue no último ano, o registro de dez canções chama a atenção ao se resolver em um reduzido intervalo de tempo — são apenas onze minutos de duração.
Entretanto, diferente de outros exemplares do punk ou do hardcore, onde a intencionalidade da urgência e a curta duração das faixas estão diretamente alinhadas ao discurso, em Magazine, o quarteto formado por Zack Borzone (vozes), Saguiv Rosenstock (guitarras), Jack Tobias (sintetizadores) e Sam Pickard (bateria), parte da compressão. Afinal, como inserir tantas informações, ritmos e elementos em um álbum tão curto?
Partindo dessa questão, o grupo se articula na construção de um repertório extremamente sofisticado, com músicas que condensam narrativas e atmosferas em menos de dois minutos. Enquanto os versos das faixas tratam sobre depravação, hipocrisia, caos e resistência por meio de imagens poéticas fragmentadas, bases liquefeitas tornam a instrumentação ainda mais indistinguível, mesmo preservando elementos de destaque.
A bateria de Pickard, por exemplo, segue como um componente fundamental para o álbum, servindo tanto como um marcador rítmico quanto um elemento de exploração em faixas como Stillness Blues. Por sua vez, as guitarras de Rosenstock surgem ainda mais abstratas e etéreas do que no disco anterior, encontrando no sintetizador de Tobias um instrumento irmão. Mesmo a voz de Borzone ganha muito mais clareza e espaço.
Ainda assim, a curta duração de determinadas faixas, como a própria música-título, concede ao disco uma desconfortável sensação de incompletude. Enquanto canções como Innocent Sigh e Ballerina se resolvem mesmo em um intervalo de poucos segundos, outras, como Give Blood e Burns, parecem mais fragmentos de ideias do que peças completas, reforçando a mesma fragilidade estrutural explícita no trabalho anterior.
Apesar desses momentos de maior instabilidade, Magazine mantém firme o caráter exploratório e o esforço do grupo em tensionar os limites da própria criação. Da mesma forma que em 45 Pounds, é difícil prever os movimentos do quarteto em estúdio. Os timbres característicos e os temas abordados ainda dialogam com o repertório do registro entregue há poucos meses, mas o caminho percorrido pelo YHWH Nailgun é outro.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.