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Críticas

Nap Eyes

: "I'm Bad Now"

Ano: 2018

Selo: Paradise Of Bachelors / You’ve Changed /Jagjaguwar

Gênero: Indie, Indie Folk

Para quem gosta de: Wilco e The National

Ouça: Every Time the Feeling e Sage

7.8
7.8

Resenha: “I’m Bad Now”, Nap Eyes

Ano: 2018

Selo: Paradise Of Bachelors / You’ve Changed /Jagjaguwar

Gênero: Indie, Indie Folk

Para quem gosta de: Wilco e The National

Ouça: Every Time the Feeling e Sage

/ Por: Cleber Facchi 14/03/2018

Mesmo com dois álbuns lançados — Whine of the Mystic (2014) e Thought Rock Fish Scale (2016) —, e um repertório ainda curto em mãos, difícil passear pelas canções do Nap Eyes e não perceber na poesia do cantor e compositor Nigel Chapman a construção de um personagem real. Composições pontuadas por experiências melancólicas, desilusões amorosas e, principalmente, temas existencialistas, base de grande parte do repertório assinado pelo músico canadense.

Terceiro e mais recente álbum de inéditas da banda completa por Brad Loughead (guitarra), Josh Salter (baixo) e Seamus Dalton (bateria), I’m Bad Now (2018) talvez seja o trabalho em que as angústias de Chapman se projetam com maior clareza. São conflitos pessoais, a busca por autoconhecimento, delírios intimistas e a forma como o personagem/compositor encara as relações cotidianas de forma sempre melancólica, ampliando parte da atmosfera detalhada nos últimos dois discos.

Toda vez que o sentimento vem / Você nunca pergunta por que / Ele chega dessa maneira … Noite após noite / Dia após dia / O pensamento aumenta / E você vai persegui-lo“, canta em Every Time the Feeling, uma passagem conceitual para o ambiente dominado por inquietações e pequenos conflitos pessoais do jovem músico. Um limitado acervo de versos entregues à interpretação, como se Chapman, mesmo no próprio isolamento, fosse capaz de dialogar com o ouvinte.

Para além desse universo de temas particulares, curioso perceber o forte aspecto descritivo que toma conta do disco, com Chapman trabalhando cenas e conceitos inquietantes em uma estrutura quase narrativa, cênica. Exemplo disso está no conjunto de recortes visuais/poéticos que invadem a faixa-título do álbum, ganha ainda mais destaque nos personagens e cenas de You Like to Joke Around with Me, e segue em meio a atos isolados como Sage e Boats Apear.

Transformador na forma como Chapman convida o público a se perder em um mundo próprio, musicalmente, I’m Bad Now cresce de forma significativa. Ainda que a semelhança com o trabalho do Wilco ecoe durante toda a execução da obra — vide as guitarras à la Impossible Germany, em Sage e na canção que canção-título —, faixa após faixa, o quarteto canadense se concentra em explorar novas sonoridades. São temas quase dançantes, como em Roses e na já citada Every Time the Feeling, fragmentos em que o grupo vai de R.E.M. ao “dad rock” do Dire Straits.

Acessível, mesmo na intimidade poética de seu realizador, I’m Bad Now amplia conceitualmente tudo aquilo que a banda havia testado nos últimos discos, principalmente, Thought Rock Fish Scale. Enquanto Mixer e Stargazer foram apresentadas ao público como os dois picos criativos do registro, com o presente álbum, os integrantes do Nap Eyes vão além, fazendo de cada composição detalhada no interior da obra um objeto de merecido destaque.

 

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.