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Críticas

Sharon Jones & The Dap-Kings

: "Soul of a Woman"

Ano: 2017

Selo: Daptone Records

Gênero: Soul, Funk, R&B

Para quem gosta de: Charles Bradley e Lee Fields

Ouça: Just Give Me Your Time e When I Saw Your Face

8.0
8.0

Resenha: “Soul of a Woman”, Sharon Jones & The Dap-Kings

Ano: 2017

Selo: Daptone Records

Gênero: Soul, Funk, R&B

Para quem gosta de: Charles Bradley e Lee Fields

Ouça: Just Give Me Your Time e When I Saw Your Face

/ Por: Cleber Facchi 05/12/2017

Produzido durante o período em que Sharon Jones (1956-2016) travo uma difícil batalha contra o câncer, o recente Soul of a Woman (2017, Daptone) mostra o esforço da cantora norte-americana em, mais uma vez, brilhar dentro de estúdio. Um ato minucioso, dolorosamente particular, mas que acaba crescendo nos arranjos assinados pelos parceiros de banda do The Dap-Kings, com quem a artista norte-americana colaborando desde a segunda metade dos anos 1990.

Doloroso, festivo, intimista e sorridente na mesma proporção, o trabalho de 11 faixas parece seguir a trilha percorrida por Jones desde a estreia com Dap Dippin’ with Sharon Jones and the Dap-Kings, em 2002. Composições que passeiam pela música negra produzida entre o final dos anos 1950 e início da década de 1970, como um criativo desvendar de referências que incorpora o mesmo soul-funk de veteranos da cena estadunidense, porém, de forma sempre autoral.

Exemplo disso está na nostálgica Just Give Me Your Time. Terceira faixa do disco, a composição de apenas dois minutos encontra no pop empoeirado dos anos 1960 um precioso componente criativo. Guitarras contidas, quase climáticas, arranjos de metais e batidas que se dobram para revelar a força vocal de Jones. Na poesia da canção, um universo de emanações melancólicas e a busca declarada do eu lírico por um pouco de atenção, conceito reforçado em parte expressiva da obra.

Em Rumors, quinta canção do álbum, uma fuga declarada desse ambiente melancólico e o esforço de cada integrante do projeto em assinar uma criação dançante, talvez pensada para as apresentações ao vivo do grupo. Trata-se de uma composição marcada pela evidente quentura dos arranjos, batidas e vozes, como se Jones e os parceiros de banda fossem da música lançada por James Brown, no início da carreira, ao toque tropical que caracteriza a música cubana.

Marcado pelo cuidado na formação dos arranjos, Soul of a Woman faz de cada composição um objeto precioso. Perfeita representação desse resultado está no som entristecido de When I Saw Your Face. Lembrando clássicos como At Last! (1960), de Etta James, a canção se espalha sem pressa, revelando guitarras, metais e arranjos de corda encorpados que se conectam à voz de Jones. Uma leveza que se repete em outras como a derradeira Call On God e, principalmente, no fino polimento de Come and Be a Winner.

Fechamento coeso para uma discografia que alcançou melhor resultado em obras recentes como I Learned The Hard Way (2010) e Give the People What They Want (2014), Soul of a Woman mostra o cuidado de Jones e seus parceiros em finalizar um registro primoroso mesmo nos momentos de maior angústia vividos pela cantora. Um verdadeiro exercício criativo que resgata o que há de mais delicado na música negra produzida nas últimas cinco ou mais décadas de forma naturalmente particular.

 

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.