Ano: 2018
Selo: Domino
Gênero: R&B, Eletrônica, Experimental
Para quem gosta de: Oneohtrix Point Never e Autre Ne Veut
Ouça: Body Fat e Nonkilling 6 | Hunger
Ano: 2018
Selo: Domino
Gênero: R&B, Eletrônica, Experimental
Para quem gosta de: Oneohtrix Point Never e Autre Ne Veut
Ouça: Body Fat e Nonkilling 6 | Hunger
Em um lento processo de refinamento estético, Tom Krell foi da atmosfera enevoada que embala as canções de Love Remains (2010) para o som plástico e naturalmente acessível de Care (2016). Um permanente exercício de reinterpretação conceitual que passa por dois dos principais trabalhos do músico norte-americano como How To Dress Well, Total Loss (2012) e “What Is This Heart?” (2014), indicando o desejo do permanente desejo do artista de Boulder, Colorado, em avançar criativamente.
Quinto álbum de inéditas na carreira de Krell, The Anteroom (2018, Domino) talvez seja o trabalho em que o produtor norte-americano mais se distancia desse universo, como o início de um novo capítulo na discografia de How To Dress Well. São pouco menos de 60 minutos em que o ouvinte é convidado a se perder em um território de pequenas incertezas, esbarrando em colagens eletrônicas, sintetizadores e vozes carregadas de efeito que mudam de direção a todo instante, resultando em uma interpretação torta de tudo aquilo que vem sendo explorado desde Love Remains.
Exemplo disso está na faixa de abertura do disco, Humans Disguised as Animals | Nonkilling 1. São duas composições isoladas, mas que se entrelaçam de forma a convergir em um experimento único. Ambientações sujas, vozes carregadas de efeitos, ruídos e rupturas estéticas que alcançam um resultado ainda menos óbvio nas abstrações de Nonkilling 3 | The Anteroom | False Skull 1 e A Memory, The Spinning of a Body | Nonkilling 2.
A própria imagem de capa do disco parece sintetizar com naturalidade parte da atmosfera que orienta e experiência do ouvinte em The Anteroom. Uma composição acinzentada e congelante, conceito que se reflete com naturalidade no interior de músicas como Vacant Boat e July 13 No Hope No Pain, faixas em que Krell transforma o próprio isolamento no principal componente criativo dos versos e ambientações eletrônicas.
Dos poucos momentos em que dialoga com os antigos trabalhos, principalmente o maduro “What Is This Heart?”, Krell emociona o ouvinte sem grandes dificuldades. É o caso de Body Fat, música guiada pelos habituais falsetes do músico norte-americano e um exercício de profunda vulnerabilidade poética. Um permanente estado de melancolia que se reflete ainda em canções como Love Means Taking Action e a derradeira Nothing, faixa que soa como um estranho cruzamento entre Nine Inch Nails e o Radiohead pós-Kid A (2000).
Inspirado de maneira confessa na obra de Coil, Prurient, Gas e Grouper, além, claro, de ter sido concebido em parceria com o experiente Joel Ford, artista que já trabalhou ao lado de nomes como Oneohtrix Point Never, The Anteroom nasce como um produto involuntário da mudança de Krell para a cidade de Los Angeles, há dois anos. Canções guiadas pelo isolamento e abandono do eu lírico, resultando em uma nova interpretação da poesia triste que há tempos vem sendo explorada pelo músico.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.