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Crítica

Purelink

: "Faith"

Ano: 2025

Selo: Peak Oil

Gênero: Música Ambiente

Para quem gosta de: Oval, Gas e Pole

Ouça: Rookie e Looked Me Right In The Eye

7.9
7.9

Purelink: “Faith”

Ano: 2025

Selo: Peak Oil

Gênero: Música Ambiente

Para quem gosta de: Oval, Gas e Pole

Ouça: Rookie e Looked Me Right In The Eye

/ Por: Cleber Facchi 15/01/2026

O avanço lento proposto em Looked Me Right In The Eye, canção de abertura em Faith (2025, Peak Oil), revela a capacidade do Purelink em capturar a atenção do ouvinte mesmo em uma medida particular de tempo. São pouco mais de seis minutos em que o trio formado por Tommy Paslaski, Ben Paulson e Akeem Asani se aventura na elaboração de melodias enevoadas, texturas e ambientações sempre detalhistas.

Dado esse primeiro passo dentro do disco, Rookie chega para ampliar os horizontes de possibilidades do grupo norte-americano. Completa pela participação da cantora, compositora e produtora Loraine James, a faixa preserva o caráter atmosférico do registro, porém estabelece no uso calculado das vozes um precioso elemento de transformação em relação aos registros anteriores da banda, Puredub (2022) e Signs (2023).

Esse mesmo caráter exploratório acaba se refletindo na faixa seguinte, Kite Scene. Mesmo inaugurada em meio a ambientações etéreas, a música chama a atenção pelo uso destacado das batidas. É como se o trio fosse ao encontro de Pole, Jan Jelinek, Gas e outras referências bastante características do projeto, como uma tentativa do grupo em se aventurar pelas pistas sem necessariamente romper com a própria essência.

Passado esse momento de maior agitação, Yoke traz de volta o caráter atmosférico do trabalho. As batidas ainda estão presentes, porém espalhadas de forma inexata, reforçando o aspecto misterioso da canção. A principal diferença em relação às composições que a antecedem está na busca do trio por uma abordagem totalmente reducionista, rompendo com o detalhamento indicado na inaugural Looked Me Right In The Eye.

Não por acaso, ao mergulharmos em First Lota, o grupo deixa de lado o minimalismo excessivo para, mais uma vez, explorar outras possibilidades em estúdio. Enquanto acordes ocasionais garantem movimento à canção, versos assumidos pela poetisa Angelina Nonaj levam o trabalho da banda para outras direções. Um exercício que, mesmo colaborativo, em nenhum momento interfere na identidade sonora do Purelink.

Escolhida para o encerramento do trabalho, Circle of Dust é tanto uma síntese criativa de tudo aquilo que o grupo busca desenvolver ao longo da Faith, como um exercício de expansão. Da fluidez das batidas ao uso ocasional das vozes, cada fragmento da canção detalha o esforço da banda em se desafiar. São pequenos atravessamentos de informações que fazem do reducionismo do trio uma complexa ferramenta de criação.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.