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Ano: 2026

Selo: Mom + Pop

Gênero: Pop, Eletrônica

Para quem gosta de: Ninajirachi e Jane Remover

Ouça: Music, Do It e Lovefield

8.3
8.3

Underscores: “U”

Ano: 2026

Selo: Mom + Pop

Gênero: Pop, Eletrônica

Para quem gosta de: Ninajirachi e Jane Remover

Ouça: Music, Do It e Lovefield

/ Por: Cleber Facchi 03/04/2026

Após um período bastante movimentado em que colaborou com Danny Brown, Oklou e Yaeji, April Harper Grey, a Underscores, retorna com sua maior criação, U (2026, Mom + Pop). E ela não perde tempo. Com Tell Me (U Want It) como composição de abertura, a artista norte-americana apresenta parte dos elementos que serão incorporados ao longo do álbum, como o estilo de produção que atravessa o pop dos anos 2000 para dialogar criativamente com o presente cenário. Um rico catálogo de ritmos, sentimentos, melodias e vozes.

Apontada a direção, Music, vinda logo em sequência, potencializa esse resultado. Enquanto os versos usam da relação com a música para tratar sobre a sensação de conexão intensa com uma pessoa, batidas tortas e pequenas variações estruturais vão de nomes como Skrillex a 100 gecs sem perder a identidade da artista. Tudo é tão grandioso que a posterior Hollywood Forever, com sua abordagem econômica, acaba engolida.

Essa mesma fragilidade acaba se refletindo na composição seguinte, The Peace. Com maior destaque para os vocais, a canção de acabamento reducionista soa como uma versão inacabada daquilo que a própria artista apresenta no restante da obra. Exemplo disso fica bastante evidente na posterior Innuendo (I Get U), música que parte de uma abordagem inicialmente contida, porém cresce aos poucos e se joga nas pistas.

Com a chegada de Lovefield, a artista mais uma vez investe em uma canção minimalista e etérea, acenando para o trabalho de Oklou. A diferença está na forma como Underscores usa isso como estímulo para uma faixa que se permite invadir por melodias radiantes, camadas de sintetizadores e vozes que dialogam com a musicalidade colorida de Ninajirachi. É como um lento, ainda que permanente, desvendar de sensações.

Embora parta de uma abordagem contida, prevalece nos momentos de maior intensidade o estímulo para algumas de suas melhores criações. É o caso de Do It, música que evoca o estilo de produção de Timbaland e amplia os horizontes de possibilidades da artista. Já em Bodyfeeling, Underscores avança aos poucos e evoca Mk.gee em uma composição marcada pelo forte aspecto confessional e vulnerabilidade dos versos.

Sobrevive justamente nessa proposta sentimental o principal componente criativo do registro. Canções que vão de um canto a outro, contudo encontram na fragilidade emocional de Underscores um elemento de aproximação. A própria música de encerramento do trabalho, Wish U Well, com versos que tratam sobre a aceitação dolorosa de uma pessoa que seguiu em frente, reforça isso. É nesse equilíbrio entre a inquietação e a entrega que U se sustenta, evidenciando o cuidado da artista em transformar fragilidade em linguagem.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.