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Crítica

Steve Lacy

: "Oh Yeah?"

Ano: 2026

Selo: RCA

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Daniel Caesar e Thundercat

Ouça: The Feeling e Pure Color

5.5
5.5

Steve Lacy: “Oh Yeah?”

Ano: 2026

Selo: RCA

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Daniel Caesar e Thundercat

Ouça: The Feeling e Pure Color

/ Por: Cleber Facchi 24/07/2026

No final da década passada, quando Steve Lacy foi formalmente apresentado ao grande público, boa parte das publicações do período citavam o estilo de produção minimalista e como o artista indicado ao Grammy criava suas canções usando apenas um estúdio portátil em seu smartphone. O problema é que, quase dez anos depois e hoje com acesso a recursos, o músico continua desenvolvendo sua obra de maneira similar.

Terceiro e mais recente trabalho do músico norte-americano em carreira solo, Oh Yeah? (2026) talvez seja o exemplo máximo disso. Sequência ao material entregue em Gemini Rights (2022), álbum catapultado por conta do enorme sucesso de Bad Habit no TikTok, a obra pouco ou nada evolui em relação aos discos que o antecedem. É como se o artista reproduzisse o mesmo R&B básico desde a estreia com Apollo XXI (2019). 

Em geral, são canções que se sustentam a partir de uma base minimalista de sintetizadores, batidas sempre calculadas e guitarras que até esbarram na obra de artistas como Prince e Lenny Kravitz, mas logo pedem desculpas e seguem o caminho mais confortável. Mesmo quando se arrisca, como nos momentos iniciais da eletrônica Nice Shoes / In Your World, Lacy rapidamente cria desvios que conduzem o disco ao ordinário.

Ainda assim, Oh Yeah? tem seus momentos de destaque. Em Pure Color, por exemplo, Lacy deixa de lado a estrutura prosaica do restante da obra para mergulhar em um trip-hop atmosférico que evoca nomes como Portishead e Massive Attack de forma autoral, destacando a presença sutil de Erykah Badu. A própria The Feeling, canção que segue a estrutura melódica de Bad Habit, ressalta o capricho do músico na produção.

A questão é que, para cada boa composição, há sempre uma contraparte formada por duas ou mais faixas que acentuam a mediocridade do trabalho. Em Is It Cool?, por exemplo, é a tentativa superficial de refletir sobre relacionamentos ao lado de SZA. Já em Doom, é a pobreza escancarada das rimas (“I’m a big baby suckin’ on big titties / Karma’s a bitch and I bet she’s pretty”) e as guitarras que buscam emular o Weezer.

Independentemente da direção em que aponta, prevalece em Oh Yeah? a sensação de que o músico busca apenas recriar a fórmula e o fenômeno em torno de Bad Habit. Entretanto, assim como qualquer marca que tenta participar de uma trend no TikTok, falta ao trabalho o essencial: a espontaneidade. Os componentes básicos estão ali, quase explícitos, porém exauridos em forma e conteúdo justamente pelo próprio criador.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.