Ano: 2026
Selo: Coala Records
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Julia Mestre e Letrux
Ouça: Meu Bebê, Tchooki Tchoo e Milky Way
Ano: 2026
Selo: Coala Records
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Julia Mestre e Letrux
Ouça: Meu Bebê, Tchooki Tchoo e Milky Way
De Julia Branco à Robyn, de Laura Marling à Kehlani, não são poucas as mulheres que, influenciadas pelo próprio processo de gestação, encontraram o estímulo natural para a produção de álbuns marcados pela profundidade dos temas. Algumas percorrem caminhos emocionais, já outras mergulham nas mudanças corporais e na quebra da rotina, refletindo sobre questões de gênero, privilégios e assuntos mais sóbrios.
Interessante perceber em Cosmo Dorme (2026, Coala Records), segundo e mais recente registro de estúdio de Raquel Dimantas, um álbum que é tanto um amálgama de todas essas temáticas, como um trabalho que trilha seu próprio caminho. Inspirado pelo nascimento do primeiro filho da artista, Cosmo, o disco combina amor, maternidade, pertencimento, cuidado e afeto dentro da linguagem essencialmente torta da cantora.
Conceitualmente estruturado como um dia inteiro, começando com o amanhecer, em Mira Que Belo Dia, e terminando com uma despedida de boa noite, em Não é Adeus, o trabalho destaca a capacidade da artista em criar faixas essencialmente curtas e descompromissadas, porém cativantes. São composições simples, sem apego a um gênero musical específico e, por isso mesmo, inescapáveis, feitas para encantar o ouvinte.
Em Meu Bebê, por exemplo, é o pop retrô que transita entre o doo-wop e a jovem guarda enquanto a artista confessa seu amor ao filho. Já em Milky Way, é a atmosfera soturna, por vezes jazzística, que vai das trilhas sonoras de David Lynch ao encontro entre Nico e The Velvet Underground. Surgem ainda canções como a divertida Tchooki Tchoo, música que evoca Kraftwerk, mas parece replicar o som de um brinquedo infantil.
O próprio filho da artista se transforma em um “instrumento” no decorrer do trabalho, sendo sampleado no interlúdio de Papinho/Small talk. Claro que, nesses processos exploratórios, nem todas as composições que integram o disco parecem funcionar, como a já citada Mira Que Belo Dia, faixa que peca pelo reducionismo excessivo. Ainda assim, o capricho e a atenção aos detalhes imperam durante grande parte do repertório.
Atravessado por conceitos e ritmos dissonantes, Cosmo Dorme fascina pela maneira como a artista, sempre acompanhada pelo produtor e músico Guilherme Lírio, mantém a consistência do registro. Mais do que um elemento temático, gerando aproximação entre as faixas, é justamente o processo de gestação que estimula Dimantas a ir ainda mais longe do que no antecessor 8 Hits! (2022), fazendo desse exercício de documentar a maternidade uma forma diferente de enxergar o mundo sem perder a própria identidade e curiosidade.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.