Ano: 2026
Selo: QTV
Gênero: MPB, Samba
Para quem gosta de: Caxtrinho e Negro Leo
Ouça: Cangalha do Boi e Maneiro
Ano: 2026
Selo: QTV
Gênero: MPB, Samba
Para quem gosta de: Caxtrinho e Negro Leo
Ouça: Cangalha do Boi e Maneiro
Sintetizado pela imagem de Zé Pilintra fazendo moonwalk e Michael Jackson dançando miudinho na Lapa, Zing Zing (2026, QTV) escancara as possibilidades de Índio da Cuíca no segundo trabalho de estúdio da carreira. Sequência ao material entregue em Malandro 5 Estrelas (2021), o registro deixa de lado o samba tradicional do disco anterior para incorporar diferentes possibilidades, parceiros e até dialogar com o pop.
Mais uma vez orientado pela direção musical de Gabriel de Aquino, que assina o trabalho em parceria com Bernardo Oliveira, o registro passeia por diferentes estilos sem necessariamente perder a consistência. Do diálogo atualizado com a capoeira, em Toca Iúna / Ô Berimbau, ao resgate de Magia Africana No Brasil E Seus Mistérios, de Jorge T. Machado, irmão do artista, tudo se projeta com novidade e frescor pelo material.
Claro que isso não distancia totalmente o artista do repertório entregue no disco anterior. A própria Cuíca Maluca, logo na abertura do trabalho, com Índio apresentando os colegas de estúdio, funciona como uma boa representação desse resultado. Surgem ainda preciosidades como Tabuleiro e Gracinha, composta por Juçara Marçal, que reafirmam a relação do músico com o samba, proposta mantida até os minutos finais.
Ainda assim, é quanto mais se distancia do trabalho anterior que o artista garante ao público algumas das melhores faixas do disco. Em Cangalha do Boi, por exemplo, é a invasão das guitarras e os jogos de palavras divididos com Siba que capturam a atenção do ouvinte. Já em Maneiro, são as conexões além-mar e o flerte com o afrobeat que atualizam o samba de Índio, conceito reforçado no som ritualístico de Sabença e Dendê.
Mesmo que nesses processos exploratórios nem todas as canções alcancem o melhor resultado, como em Alguém Me Chama, composição de Romulo Fróes que traz Ana Frango Elétrico de maneira discreta, quase apagada, o simples interesse em não repetir a fórmula do disco anterior convence o ouvinte. É difícil prever qualquer mínimo movimento de Índio e seus parceiros, tornando mágica a experiência de ouvir Zing Zing.
Seja na suavidade reconfortante de Preto Velho, faixa que destaca a delicadeza do artista, ou nos instantes de maior euforia que ocupam a primeira metade do trabalho, impossível passear pelo repertório de Zing Zing e não ser hipnotizado pelas canções. Ainda que a cuíca, instrumento que batiza o músico, fique em segundo plano, as possibilidades encontradas por Índio em estúdio são outras e ainda mais interessantes.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.