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Crítica

Artms

: "Dall"

Ano: 2024

Selo: Modhaus

Gênero: K-Pop

Para quem gosta de: Loona e Yukika

Ouça: Virtual Angel, Candy Crush e Unf/Air

8.2
8.2

Artms: “Dall”

Ano: 2024

Selo: Modhaus

Gênero: K-Pop

Para quem gosta de: Loona e Yukika

Ouça: Virtual Angel, Candy Crush e Unf/Air

/ Por: Cleber Facchi 26/06/2024

Com o fim do contrato de exclusividade com o selo Blockberry Creative e consequente encerramento das atividades do LOONA, cinco ex-integrantes do grupo de k-pop, Heejin, Haseul, Kim Lip, Jinsoul e Choerry, foram recrutadas pela Modhaus para dar vida a outro projeto. O resultado desse processo está na criação do Artms, quinteto que, como o próprio nome aponta, busca inspiração na deusa grega da Lua e em outros temas celestiais para dar vida ao primeiro álbum de estúdio da carreira, o delicado Dall (2024, Modhaus).

Assim como aconteceu em grande parte das composições do LOONA, prevalece em Dall a entrega de um repertório marcado pelo refinamento dado aos arranjos, uso calculado das batidas e harmonias de vozes sempre caprichadas, destacando o processo de produção do material. São faixas que mergulham em temas românticos, evidenciando a sensibilidade dos versos que dialogam com o título da obra, uma abreviação para “Devine All Love and Live“, algo como “Todo o Amor Divino e Vida“, na tradução para o português.

Exemplo disso fica mais do que evidente em Virtual Angel. Passada a atmosférica introdução de URL, a faixa posicionada logo nos minutos iniciais do trabalho aponta a direção e sintetiza parte dos temas que serão explorados ao longo do material. “Eu estarei lá para você quando suas asas quebrarem“, cresce a letra da canção, criando uma doce sensação de acolhimento que transcende a construção dos versos e acaba se refletindo na fina tapeçaria instrumental que destaca o uso dos sintetizadores e vozes etéreas.

Vem justamente dessa delicadeza no processo de criação do trabalho o grande charme do repertório de Dall. Em Candy Crush, por exemplo, são arranjos cuidadosamente encaixados pelo time de produtores que acompanha o quinteto, proposta que avança em direção a grandes exemplares do city pop, como uma extensão daquilo que Yukika explorou em Soul Lady (2020). Esse mesmo olhar para o passado, porém, partindo de um fino toque de atualização acaba se refletindo em outros momentos ao longo da obra, como no som retrofuturista de Air e Unf/Air, dobradinha que vai do R&B nostálgico dos anos 1990 ao hyperpop.

São canções que seguem uma abordagem bastante característica do pop tradicional, porém, adornadas por incontáveis camadas de sintetizadores, batidas carregadas de efeitos e ruídos cristalinos que levam o trabalho para outras direções. Perfeita representação desse resultado pode ser percebida em Flower Rhythm, faixa que destaca a mesma riqueza de detalhes e ruídos sintéticos de nomes como SOPHIE e Hannah Diamond, ou mesmo no som retorcido de Birth, soando como uma música perdida de Billie Eilish.

Toda essa multiplicidade de estilos garante que mesmo canções ancoradas em temas há muito explorados por diferentes artistas ganhem um fino toque de frescor. São criações marcadas pela fragilidade dos versos, relacionamentos instáveis e momentos de maior vulnerabilidade emocional, porém, sempre acrescidas de um acabamento meticuloso e pouco usual durante todo o processo de composição. Um misto de conforto e equilibrada ruptura que delicadamente conduz o repertório apresentado em Dall para outras direções.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.