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Crítica

Grace Ives

: "Girlfriend"

Ano: 2026

Selo: True Panther / Capitol

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: Nilüfer Yanya e Empress Of

Ouça: Avalanche, My Mans e Stupid Bitches

8.2
8.2

Grace Ives: “Girlfriend”

Ano: 2026

Selo: True Panther / Capitol

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: Nilüfer Yanya e Empress Of

Ouça: Avalanche, My Mans e Stupid Bitches

/ Por: Cleber Facchi 30/03/2026

Uma vez que você se habitua ao curioso universo criativo de Grace Ives, difícil querer sair dele. Dona de uma interpretação bastante particular sobre o pop, a cantora e compositora norte-americana retorna após quatro anos com mais um novo trabalho de estúdio, Girlfriend (2026). Sequência ao material apresentado em Janky Star (2022), o registro não apenas preserva, como potencializa a essência do trabalho anterior.

Assim como o registro que o antecede, além, claro, do introdutório 2nd (2019), Girlfriend se sustenta na montagem de composições que partem do pop tradicional para incorporar uma abordagem cada vez mais reducionista. É como se a cantora preservasse apenas os elementos centrais dentro de cada faixa, voltando seus esforços para ganchos certeiros e bases melódicas que rapidamente capturam a atenção do ouvinte.

Claro que isso está longe de parecer uma novidade para quem há tempos acompanha o trabalho da artista. A diferença está na forma como Ives, mesmo partindo de uma proposta musicalmente minimalista, jamais economiza nos detalhes. São camadas de sintetizadores, texturas e ruídos talvez discretos em uma audição inicial, mas que fazem toda a diferença, reforçando as estruturas de faixas como Dance With Me e Drink Up.

Parte desse resultado vem da escolha da cantora em colaborar em estúdio com os produtores John DeBold e Ariel Rechtshaid. Conhecidos pelo trabalho em conjunto com HAIM e Carly Rae Jepsen, os dois auxiliam a artista na elaboração de um repertório que, mesmo acessível, nunca tende ao óbvio e ainda preserva o pop ruidoso de Ives. A própria Avalanche, logo na abertura do álbum, sintetiza isso de forma bastante eficiente.

Embora amparada por nomes importantes da indústria, o elemento de destaque do disco ainda é a poesia confessional de Ives. Mais expositiva do que nunca, a cantora se aprofunda em canções que tratam sobre desordem emocional, autocrítica, relações falhas e a tentativa constante de recomeço, equilibrando humor, tragédia e honestidade. Instantes em que a artista dialoga criativamente com a obra de Sky Ferreira, em Night Time, My Time (2013), Lorde, em Melodrama (2017), mas sempre preservando a própria identidade.

Acima de tudo, Girlfriend é um disco que não economiza na entrega de canções altamente pegajosas, como se pensadas para seduzir o ouvinte logo em uma primeira audição. Da inescapável My Mans, com versos que tratam sobre a busca obsessiva da cantora por validação amorosa, ao fechamento entusiasmado com Stupid Bitches, sobram momentos em que Ives demonstra toda sua potência criativa e domínio em estúdio.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.