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Ano: 2026

Selo: 4AD

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Lucy Dacus e Angel Olsen

Ouça: The Hardest Thing e If I Had The Hand Of God

7.9
7.9

Julia Jacklin: “The Gem”

Ano: 2026

Selo: 4AD

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Lucy Dacus e Angel Olsen

Ouça: The Hardest Thing e If I Had The Hand Of God

/ Por: Cleber Facchi 13/10/2026

The Gem (2026) é exatamente aquilo que Julia Jacklin estabelece no título da obra: uma joia. Quarto e mais recente trabalho de estúdio da cantora e compositora australiana, o registro concentra o que há de melhor no repertório da musicista. São canções que transformam fragilidades, tormentos e pequenas inquietações em um consistente alicerce poético e emocional que se estende do primeiro ao último instante do material.

“Se eu tivesse a mão de Deus / Será que o Deus cuja mão eu tenho / Saberia não te deixar só quando você diz estar triste?”, questiona a artista em If I Had The Hand Of God. Síntese lírica de tudo aquilo que Jacklin busca desenvolver ao longo da obra, a canção destaca a capacidade da cantora em converter fragmentos aleatórios de pensamentos em composições profundas que parecem dialogar diretamente com o ouvinte.

Embora atravessado por faixas que complexificam sentimentos e temas aleatórios, The Gem em nenhum momento pesa sobre o ouvinte. Do momento em que tem início, em Brand New, até alcançar a derradeira I Wish, parceria com o grupo The Maes, a cantora mantém firme a fluidez e a força da canção. É como uma extensão natural de tudo aquilo que a musicista havia testado em Crushing (2019) e Pre Pleasure (2022).

O resultado desse processo está na elaboração de músicas totalmente inescapáveis, feitas para capturar a atenção do ouvinte logo em uma primeira audição. Enquanto algumas investem em conceitos existenciais, caso de Angel Vision, outras, como a pegajosa Get Away From Me (I Think I’ll Love You Soon) e The Hardest Thing equilibram o romantismo de Jacklin com o fino senso de humor que há tempos orienta a australiana.

Apesar do meticuloso acabamento poético, The Gem não propõe grandes rupturas sonoras em relação aos antigos trabalhos da artista. Como indicado logo nos minutos iniciais do álbum, tudo gira em torno de uma bateria seca e guitarras que buscam ocupar a arquitetura minimalista das canções. Mesmo quando investe em arranjos acústicos, a cantora pouco avança criativamente, mantendo firme o reducionismo do material.

Não por acaso, prevalece nos instantes em que mais se distancia desse resultado o estímulo para algumas das melhores composições do álbum. Das guitarras sujas que invadem os minutos finais de God Sometimes, passando pelos pianos entristecidos que crescem em You Turned On The Tap, sobram momentos em que a cantora australiana se desafia em estúdio sem abrir mão da própria identidade e do habitual apuro lírico.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.