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Crítica

K-Lone

: "Sorry I Thought You Were Someone Else"

Ano: 2025

Selo: Incienso

Gênero: Eletrônica, Microhouse

Para quem gosta de: Anthony Naples e Loidis

Ouça: Slk, Slide By Side e Fair Enough 2 Be Fair

8.0
8.0

K-Lone: “Sorry I Thought You Were Someone Else”

Ano: 2025

Selo: Incienso

Gênero: Eletrônica, Microhouse

Para quem gosta de: Anthony Naples e Loidis

Ouça: Slk, Slide By Side e Fair Enough 2 Be Fair

/ Por: Cleber Facchi 06/01/2026

Quem há tempos acompanha o trabalho de Josiah Gladwell, o K-Lone, sabe da habilidade do artista inglês em fazer muito, mesmo lidando com tão pouco. São registros como Cape Cira (2020) e Swells (2023) que partem de uma abordagem reducionista, entretanto revelam um universo de pequenos detalhes, batidas e microambientações sofisticadas que escancaram o comprometimento estético do produtor de Brighton.

Interessante perceber em Sorry I Thought You Were Someone Else (2025, Incienso), terceiro e mais recente trabalho de estúdio do produtor britânico, uma obra que preserva o minimalismo e capricho de Gladwell, porém expande seus domínios. Do momento em que tem início, em Someone Else, cada nova faixa destaca o meticuloso processo de criação do produtor que não economiza nos detalhes, texturas e sobreposições.

Quinta faixa do álbum, Slk talvez seja o melhor exemplo disso. Em um intervalo de cinco minutos, Gladwell mantém firme a fluidez das batidas enquanto acrescenta novas camadas à canção. São ruídos sintéticos e batidas calculadas que até tendem às pistas, mas em nenhum momento rompem com o som reducionista do disco. É como se cada fragmento, mesmo o mais discreto, tivesse uma função específica dentro da obra.

Esse mesmo detalhamento acaba se refletindo durante toda a execução do trabalho. Em Sslip, por exemplo, são batidas fragmentadas e inserções pontuais que fazem lembrar de Jan Jelinek. Já em Slide By Side, com sintetizadores melódicos, um diálogo breve de K-Lone com a IDM da década de 1990. Surgem ainda faixas como Rezz, com suas ambientações labirínticas que parecem apontar para o repertório urbano de Burial.

Embora marcado pelo formação das batidas e estruturas rítmicas que ampliam os horizontes do produtor, Sorry I Thought You Were Someone Else mantém firme os respiros e momentos de maior contemplação dos registros anteriores. Exemplo disso pode ser percebido nos sintetizadores de Fair Enough 2 Be Fair, canção que evoca nomes como Four Tet, ou mesmo The Haze, música que pontua o disco com notável serenidade.

Nesse sentido, Sorry I Thought You Were Someone Else funciona como um refinamento consciente de tudo aquilo que K-Lone vem lapidando desde as primeiras obras. Há um equilíbrio preciso entre os instantes de maior agitação rítmica e os trechos de contemplação, o que garante fluidez e unidade ao material. Por outro lado, mesmo bem resolvido em seus detalhes, o registro pouco se arrisca criativamente, optando mais por aprofundar uma linguagem já conhecida do que propor uma ruptura real com o próprio estilo do artista.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.