Ano: 2026
Selo: Loco Records
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Dingo e Terno Rei
Ouça: Farol, Sonho Real e Palestina Nos Seus Olhos
Ano: 2026
Selo: Loco Records
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Dingo e Terno Rei
Ouça: Farol, Sonho Real e Palestina Nos Seus Olhos
De amores desfeitos a paisagens urbanas consumidas pela ganância humana, Fluxo Natural (2026) é uma obra sobre aquilo que permanece. Sexto e mais recente trabalho de estúdio do quarteto baiano Maglore, o registro deixa de lado o teor nostálgico do antecessor V (2022) para avançar pelo tempo. São canções que ainda apontam musicalmente para o passado, mas sustentam nos versos um diálogo atento com o presente.
Próximo e ao mesmo tempo distante daquilo que o próprio Teago Oliveira (voz e guitarra) havia testado no ainda recente Canções do Velho Mundo (2025), o registro transforma obstáculos da vida em matéria-prima para algo maior, enfatizando escolhas e não apenas aceitação. “É o fluxo natural”, repete o artista em Farol, música que aponta caminhos e sintetiza parte dos elementos temáticos que orientam o repertório do disco.
Entretanto, para além do refinamento lírico, capricho que se percebe desde o amadurecimento artístico da banda em III (2015) e Todas As Bandeiras (2017), a grande beleza do álbum se sustenta na rica sonoridade do grupo que se completa pelos músicos Lelo Brandão (guitarra e teclado), Lucas Gonçalves (baixo e voz) e Felipe Dieder (bateria). Canções que deixam o pop dos anos 1960 para trilhar novos percursos em estúdio.
Em Sonho Real, por exemplo, são guitarras empoeiradas que evocam Fleetwood Mac e Bruce Springsteen sem jamais corromper a identidade do quarteto. Já em Amor Sci-Fi, sintetizadores destacados e guitarras avançam em direção aos anos 1980, direcionamento também explorado no som despojado de O Rio e O Mar, música que ainda estabelece no fino solo de encerramento um curioso diálogo com a obra do Wilco.
Nada que afaste o grupo da música brasileira. Difícil ouvir Raio de Sol e não pensar nas baladas letárgicas de Lô Borges. O próprio artista acaba homenageado em Para Lô, composição que aponta para os trabalhos de Caetano Veloso e Gilberto Gil na década de 1980. Surgem ainda preciosidades como Palestina Nos Seus Olhos, música que faz lembrar as canções políticas, a contestação e o lirismo denso de Milton Nascimento.
Independentemente da direção percorrida, prevalece em Fluxo Natural o compromisso da Maglore com a canção. Ainda que o álbum perca parte do entusiasmo em seus minutos finais, revelando faixas de menor impacto, como Tudo Bem e Caravelas, a atenção aos detalhes permanece, com o quarteto revelando pleno domínio sobre a própria criação. Um trabalho que confirma a maturidade do grupo sem perder o frescor.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.