Image
Crítica

Ottopapi

: "Bala de Banana"

Ano: 2026

Selo: Seloki Records

Gênero: Indie Rock

Para quem gosta de: Exclusive os Cabides e Pelados

Ouça: Perdi o Controle, Goixto e A Mais Gata Dessa Festa

8.2
8.2

Ottopapi: “Bala De Banana”

Ano: 2026

Selo: Seloki Records

Gênero: Indie Rock

Para quem gosta de: Exclusive os Cabides e Pelados

Ouça: Perdi o Controle, Goixto e A Mais Gata Dessa Festa

/ Por: Cleber Facchi 13/03/2026

Bala de Banana (2026, Seloki Records) é um disco perigosíssimo, afinal, corre o risco de você negligenciar todas as suas outras audições e se prender às dez canções altamente pegajosas do registro. Estreia de Otto Dardenne, o Ottopapi, o trabalho produzido em colaboração com Chuck Hipolitho (Forgotten Boys, Vespas Mandarinas), revela a habilidade do músico paulistano em seduzir e hipnotizar o ouvinte com muito pouco.

Claramente influenciado pela atmosfera urbana e a urgência do rock produzido no início dos anos 2000, o registro encanta justamente por escancarar todas as suas referências e fazer disso o combustível para um trabalho que captura a atenção do ouvinte logo em uma primeira audição. São ecos de artistas como The Strokes e todo um catálogo sonoro que parece baixado do MySpace ou resgatado de um antigo MP3 Foston.

Entregue ao público em setembro do último ano, Perdi o Controle sintetiza de maneira eficiente tudo aquilo que Ottopapi busca desenvolver no decorrer do registro. São pouco mais de dois minutos em que guitarras carregadas de efeitos e batidas aceleradas estabelecem as bases para uma faixa que alterna entre o humor e o exagero, descrevendo a bagunça mental e a incapacidade de reagir ao término de um relacionamento.

A diferença em relação a outros exemplares do gênero, muitas vezes regidos por uma poética romantizada, escapista e tóxica, está na forma como o artista assume os próprios erros e se mantém consciente durante todo o desenvolvimento da obra. “Eu vou te contar meus podres / Assim de uma vez, assim de repente / Pra você não se assustar”, confessa Ottopapi logo nos minutos iniciais do trabalho, na introdutória Meus Podres.

Embora parta de uma abordagem bastante sóbria, Ottopapi preserva a sensibilidade dos versos e utiliza uma interpretação particular sobre o pop para revelar um catálogo de faixas inescapáveis. Em Goixto, com ecos de Cansei de Ser Sexy, são versos românticos que destacam a vulnerabilidade do artista. Já em A Mais Gata da Festa, é o clima descompromissado, típico de projetos como Bidê ou Balde, que chama a atenção.

Ainda que não seja exatamente um território inédito, afinal, projetos como Exclusive os Cabides partilham de ideias bastante similares, Bala de Banana se sustenta pela forma como Ottopapi transforma referências em algo pessoal. O lirismo honesto, marcado por autocrítica e fragilidade, encontra nas guitarras cruas um contraponto que nunca pesa sobre o ouvinte, abrindo espaço para melodias radiantes e versos grudentos. É nesse equilíbrio entre a aspereza do rock e a leveza imediata do pop que o músico encontra sua força, convertendo um repertório familiar em composições que continuam a ecoar mesmo após a última faixa.

Ouça também:

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.