Ano: 2026
Selo: Forever Living Originals
Gênero: Soul, R&B, Funk
Para quem gosta de: Cleo Sol e Ezra Collective
Ouça: Chapter 1 e Fulfil Your Spirit
Ano: 2026
Selo: Forever Living Originals
Gênero: Soul, R&B, Funk
Para quem gosta de: Cleo Sol e Ezra Collective
Ouça: Chapter 1 e Fulfil Your Spirit
Ainda que o título de Chapter 1 (2026, Forever Living Originals) evoque o conceito de princípio, o Sault está longe de parecer um projeto iniciante. Em atuação desde o final da década passada, o misterioso coletivo comandado pelo produtor Inflo acumula não apenas uma sequência de grandes lançamentos, como ainda interferiu criativamente nos trabalhos de outros nomes da cena inglesa, como a rapper Little Simz e Adele.
Se, por um lado, essa movimentação toda escancara a potência do projeto, por outro, o volume excessivo de lançamentos e encontros com diferentes artistas evidencia o desgaste criativo e as pequenas repetições do Sault. É como se o grupo fosse incapaz de ir além da habitual combinação de R&B, soul e funk que tem sido incorporada desde o amadurecimento artístico em Untitled (Rise) (2020) e Untitled (Black Is) (2020).
Nesse sentido, difícil passear pelo repertório de Chapter 1 e não ser bombardeado pela sensação de “eu já não ouvi isso antes?”. Do momento em que tem início, em God, Protect Me from My Enemies, até alcançar a a derradeira Puppet, tudo gira em torno de um limitado conjunto de ideias, como se Inflo e seus parceiros fossem incapazes de ir além do repertório apresentado nos antecessores Acts Of Faith (2024) e 10 (2025).
A principal diferença em relação aos antigos trabalhos da banda está na busca por um material cada vez mais acessível. São versos cíclicos, acordes pegajosos e estruturas que parecem pensadas para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. Exemplo disso fica bastante evidente na faixa-título do disco, música que usa da autoafirmação como forma de combater a inveja, destacando a voz de Cleo Sol.
Essa mesma simplificação no processo de composição também se reflete em outros momentos ao longo do disco. São composições como Love Does Not Equal Pain, com versos cíclicos e acenos para o rock, e Don’t Worry About What You Can’t Control, com suas melodias cantaroláveis, que, mesmo repetindo uma série de elementos característicos do coletivo britânico, em nenhum momento deixam de dialogar com o ouvinte.
Mesmo quando investe em uma proposta mais complexa, como em Fulfil Your Spirit e suas orquestrações sublimes, prevalece em Chapter 1 um senso de simplificação criativa. É como se Inflo e seus companheiros de banda mantivessem apenas o que há de essencial dentro de cada canção, mas sem que isso represente efetivamente um avanço estético em relação ao próprio catálogo ou o princípio de uma nova fase do Sault.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.