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Crítica

This Is Lorelei

: "Holo Boy"

Ano: 2025

Selo: Double Double Whammy

Gênero: Indie

Para quem gosta de: Chanel Beads e Alex G

Ouça: But You Just Woke Me Up, SF & GG e Mouth Man

7.7
7.7

This Is Lorelei: “Holo Boy”

Ano: 2025

Selo: Double Double Whammy

Gênero: Indie

Para quem gosta de: Chanel Beads e Alex G

Ouça: But You Just Woke Me Up, SF & GG e Mouth Man

/ Por: Cleber Facchi 26/01/2026

Ainda que Box For Buddy, Box For Star (2024) seja o primeiro trabalho do This Is Lorelei a alcançar uma parcela expressiva do público e da imprensa especializada, desde o começo da década passada que Nate Amos tem feito do projeto uma espécie de laboratório particular. São mais de vinte álbuns, uma dezena de canções e outros registros que destacam a versatilidade do também integrante do Water From Your Eyes.

Não por acaso, Amos decidiu revisitar parte desse extenso repertório em Holo Boy (2025, Double Double Whammy). Misto de coletânea e novo álbum de estúdio, o trabalho resgata dez composições lançadas pelo artista entre os anos de 2014 e 2021. São canções que transitam por diferentes fases da carreira do músico, porém ganham novo tratamento ao serem revestidas de forma a destacar a essência melódica do projeto.

A própria escolha de I Cant’ Fall como música de abertura torna isso bastante explícito. Enquanto os versos tratam sobre a permanência do sentimento que resiste à distância e ao tempo, sintetizadores e harmonias de vozes distanciam Amos da urgência explícita nas canções do Water From Your Eyes. Instantes em que o artista vai do pop ensolarado dos anos 1960 ao som intimista de nomes como Elliott Smith de forma única.

Claro que isso não interfere na entrega de faixas deliciosamente enérgicas, levando o trabalho para outras direções. É o caso de Dreams Away, com suas guitarras e batidas sempre destacadas. O mesmo acontece em But You Just Woke Me Up, composição que até dialoga com a produção minimalista de Amos no Water From Your Eyes, porém livre dos momentos de experimentação do projeto em parceria com Rachel Brown.

Entretanto, é quando alcança um ponto de equilíbrio entre seus dois principais projetos que Amos garante ao público algumas das melhores composições do disco. Exemplo disso acontece em Name The Band, um pop rock despretensioso e altamente pegajoso. Já em SF & GG, são harmonias de vozes, guitarras e pianos que se entregam ao power pop, nada que prejudique o experimentalismo sutil de faixas como Mouth Man.

Partindo dessa abordagem, Amos garante ao público uma obra repleta de acenos para o próprio passado, mas que em nenhum momento se projeta de forma repetitiva ou preguiçosa. É como um precioso exercício de estilo. Um misto de passado e presente que evidencia a capacidade do norte-americano em fazer do próprio universo criativo um campo permanentemente aberto a novas possibilidades e reinterpretações.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.