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Críticas

Interpol

: "Marauder"

Ano: 2018

Selo: Matador

Gênero: Indie Rock, Pós-Punk

Para quem gosta de: The National e Yeah Yeah Yeahs

Ouça: If You Really Love Nothing e Flight of Fancy

7.2
7.2

Resenha: “Marauder”, Interpol

Ano: 2018

Selo: Matador

Gênero: Indie Rock, Pós-Punk

Para quem gosta de: The National e Yeah Yeah Yeahs

Ouça: If You Really Love Nothing e Flight of Fancy

/ Por: Cleber Facchi 28/08/2018

Você pode não gostar dos rumos assumidos por Paul Banks, Daniel Kessler e Sam Fogarino nos últimos trabalhos de estúdio do Interpol, entretanto, ignorar qualquer novo álbum de inéditas produzido pelo grupo nova-iorquino seria no mínimo um erro. Mesmo obras menores, como o homônimo disco de 2010, ou o mediano El Pintor (2014), lançado há quatro anos, revelam ao público composições tão interessantes e intensas quanto o material entregue ao público nos ótimos (se não clássicos) Turn on the Bright Lights (2002) e Antics (2004).

Sexto álbum de inéditas na carreira do trio norte-americano, Marauder (2018, Matador) talvez seja o trabalho em que Banks e seus parceiros de banda melhor administram todos os limites da obra. Livre de possíveis excessos e faixas descartáveis, um dos principais problemas nos últimos discos do trio, cada composição do presente álbum assume uma função específica dentro da estranha narrativa que move o personagem fictício anunciado logo no título da obra. Não se trata de um registro conceitual, mas um fino direcionamento para o material que orienta a experiência do ouvinte.

Inaugurado em meio a guitarras rápidas e batidas bem direcionadas de If You Really Love Nothing, Marauder resume na poesia amarga de Banks parte do conceito pessimista que sustenta o trabalho. “Se você realmente ama nada / Todo mundo é inventado / Todo mundo está perdendo / Se você realmente ama nada / Vamos dormir em glória silenciosa?“, questiona de forma angustiada, mergulhando em versos autobiográficos, parte deles guiados pelo personagem que batiza o trabalho.

“Este disco é onde eu sinto que consigo tocar em coisas reais que aconteceram comigo. É excitante e evocativo escrever sobre isso. Acho que, no passado, eu sempre senti que a autobiografia era uma coisa muito pequena para eu me apoiar. Sinto que agora posso romantizar partes da minha vida“, respondeu o vocalista durante a coletiva de lançamento do disco, em um evento no México. De fato, poucas vezes antes o músico nova-iorquino pareceu tão vulnerável, sufocando em meio a versos consumidos por um romantismo triste, íntimo de todo e qualquer ouvinte.

Exemplo disso está nas memórias de Stay In Touch, composição guiada pelo lirismo dos versos (“Então ele se tornou meu amigo próximo / Nós falamos de seu amor por você muitas vezes / Eu vim te ver na luz das estrelas / E deixe que os campos elétricos cedam à pele“), e força dos arranjos, resultando em um diálogo inteligente com o pós-punk sombrio que há tempos orienta o trabalho do Interpol. Canções ancoradas em um passado ainda recente, como em The Rover e Flight of Fancy, frações da poesia dolorosa de Banks, sempre guiado pela força das guitarras que se espalham até o último instante do disco.

Intenso quando exige ser, sereno em momentos estratégicos, como uma ponte para os instantes de maior fúria/entrega do registro, Marauder mostra um trio equilibrado e coeso. Um esforço coletivo que se reflete na completa entrega de Banks na composição dos versos, passa pela ambientação soturna que invade a base de cada canção e segue até a produção do veterano Dave Fridmann (The Flaming Lips, MGMT), responsável por amarrar todas as pontas soltas do grupo dentro de estúdio.

 

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.