
Os últimos meses foram bastante corridos para Charli XCX. Entre projetos paralelos, como a dublagem de um personagem em Angry Birds – O Filme (2016), músicas compostas para outros artistas, caso de Drum, da norueguesa MØ, e até o lançamento do próprio selo/EP, Vroom Vroom, a cantora e produtora britânica ainda correu para finalizar as canções do novo e ainda inédito álbum de estúdio. Todavia, antes de apresentar o aguardado sucessor de Sucker (2014), a artista decidiu presentear o público com uma nova mixtape: Number 1 Angel (2017, Asylum).
Distante das guitarras incorporadas ao último registro de estúdio ou mesmo do som ruidoso e eletrônico de Vroom Vroom, XCX faz do novo lançamento um bem-sucedido regresso ao universo musical do pegajoso True Romance (2013). São dez composições descomplicadas, dançantes e naturalmente íntimas do público fiel da cantora. Músicas que flutuam entre o pop plástico dos anos 1990, as batidas do Hip-Hop e o mesmo som eletrônico adotado pela artista desde o começo da presente década.
Sem ordem aparente, XCX faz de cada composição ao longo do trabalho a possibilidade de se aventurar em estúdio com um novo produtor. Mesmo que o conterrâneo A. G. Cook (PC Music) assuma o controle de parte expressiva da obra, detalhando a produção de quatro faixas diferentes — Dreamer, Blame It on You, White Roses e Drugs —, a permanente mudança no ritmo e atmosfera das canções faz de Number 1 Angel um trabalho dinâmico e atrativo até o último segundo.

Junto de Cook, um time seleto de colaboradores. Nome de destaque do selo PC Music, Easy FX é quem assina a produção de 3AM (Pull Up), faixa mais pegajosa do disco. Parceiro de longa data da cantora, SOPHIE detalha a suja Roll with Me, música que parece saída do último EP de XCX. Em ILY2, sexta faixa do trabalho, os sintetizadores e inserções precisas de Danny L Harle. Para a comercial Babygirl o pulso firme de John Hill, produtor que trabalhou ao lado de Rihanna, Shakira e outros nomes de peso da música pop.
A mesma pluralidade se reflete na forma como diferentes vozes se espalham pelo interior do trabalho. Logo na abertura do disco, em Dreamer, um encontro com a rapper Starrah e a conterrânea britânica Raye. Colaboradora recente, MØ assume uma posição de destaque em 3AM (Pull Up), faixa mais acessível do disco. Para o encerramento da obra, uma sequência de músicas em parceria: Babygirl com a cantora norte-americana Uffie, Drugs em parceria com ABRA e Lipgloss com a rapper Cupcakke.
Dotado de um raro frescor, Number 1 Angel nasce como um produto da completa insatisfação de XCX pelo atraso da gravadora na liberação do terceiro álbum de estúdio. “Eu só fiquei entediada e fiz uma série de canções. Então decidi botar pra fora [esse material]”, disse em entrevista à Rolling Stone. O resultado está na construção de uma obra que cola no ouvido logo em uma primeira audição. Um declarado “aperitivo”, porém, com gosto de prato principal.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.