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Crítica

Geologist

: "Can I Get a Pack of Camel Lights?"

Ano: 2026

Selo: Drag City

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Avey Tare e Animal Collective

Ouça: Tonic, Sonora e Color In The B&W

6.0
6.0

Geologist: “Can I Get a Pack of Camel Lights?”

Ano: 2026

Selo: Drag City

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Avey Tare e Animal Collective

Ouça: Tonic, Sonora e Color In The B&W

/ Por: Cleber Facchi 16/02/2026

Durante mais de duas décadas, Brian Weitz foi o responsável por brincar com as texturas e acrescentar as camadas instrumentais que sempre expandiram os horizontes sonoros do Animal Collective. Agora, pela primeira vez longe dos companheiros de banda, o músico tenta encontrar seu próprio território criativo em Can I Get a Pack of Camel Lights? (2025, Drag City), trabalho que marca a estreia do artista como Geologist.

Inspirado por uma apresentação que Weitz viu do músico japonês Keiji Haino há mais de duas décadas, o artista estabelece no uso da viela de roda, instrumento de cordas medieval que data do século XI, a base para o registro de dez canções. São ambientações drone, por vezes exaustivas, que destacam a busca do compositor norte-americano por um repertório amorfo, difícil de classificar, e estruturalmente instigante.

A própria escolha de Oracle Road como canção de abertura do trabalho torna isso bastante evidente. São pouco mais de cinco minutos em que o músico utiliza a lenta sobreposição dos elementos para capturar a atenção do ouvinte. É como se o artista atravessasse as criações psicodélicas do Animal Collective para mergulhar em um território misterioso e sombrio que dialoga com a própria imagem de capa do registro.

Claro que isso não interfere na entrega de faixas mais urgentes. É o caso de Tonic, música que converte a viela de roda em uma espécie de guitarra suja, com Geologist transitando entre o krautrock e o pós-punk soturno da década de 1980. Essa mesma fluidez sombria acaba se refletindo na derradeira Sonora, canção que custa a avançar em seus minutos iniciais, porém se converte em um dos trechos mais intensos da obra.

No restante do trabalho, Weitz se aventura no estudo de composições atmosféricas, como Color in the B&W e Shelley Duvall, alcançando um ponto de equilíbrio entre a música medieval, o jazz e o pós-rock em uma abordagem que evoca a obra do Tortoise. O problema é que muitas dessas canções, como Compact Mirror / Last Names, incorporam um reducionismo exagerado, destacando as repetições estruturais do material.

Não por acaso, prevalece nos momentos em que rompe com esse direcionamento e ainda abre passagem para a chegada de outros artistas, o estímulo para algumas das melhores faixas do disco. São nomes como o próprio filho, Merrick Weitz, além do parceiro de banda, Avey Tare, que auxiliam o músico na elaboração de faixas como Government Job e Rv Envy, evitando que o álbum se perca em meio a pequenas repetições.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.