Ano: 2026
Selo: Sacred Bones Records
Gênero: Folk, Experimental
Para quem gosta de: Midwife e Grouper
Ouça: Rare, Marathon e Night & Day
Ano: 2026
Selo: Sacred Bones Records
Gênero: Folk, Experimental
Para quem gosta de: Midwife e Grouper
Ouça: Rare, Marathon e Night & Day
Mesmo orbitando um universo criativo bastante específico, cada novo álbum de Maria BC abre passagem para um território diferente. Em Marathon (2026, Sacred Bones Records), terceiro e mais recente trabalho de estúdio, a musicista sacrifica a fluidez explícita no registro anterior, Spike Field (2023), para investir em um repertório soturno marcado pela constante fragmentação dos elementos e forte caráter exploratório.
Parte desse resultado vem do próprio processo de composição do trabalho, com a musicista registrando as composições em diferentes pontos da Costa Oeste dos Estados Unidos. O resultado desse processo está na consolidação de um material que aponta para novas direções, mas em nenhum momento perde o controle. Canções que vão de um canto a outro sem necessariamente corromper o habitual reducionismo da artista.
Exemplo disso fica bastante evidente em Rare. Mesmo adornada pela inserção de elementos percussivos, efeitos e texturas, perceba como a canção mantém firme o acabamento acústico e a limpidez das vozes que evocam Joni Mitchell. É como se cada mínimo componente fosse trabalhado em uma medida particular de tempo, sem pressa, conceito que tem sido incorporado pela musicista desde a estreia com Hyaline (2022).
A diferença está na forma como a musicista tensiona os limites da própria criação, percorrendo caminhos antes inexplorados ou inacessíveis nos registros anteriores. Sétima faixa do disco, The Sound sintetiza isso de forma bastante eficiente. São pouco mais de três minutos em que a artista deixa de lado o acabamento acústico para destacar o uso de experimentações com a música eletrônica de maneira sempre provocativa.
Embora busque por novas possibilidades, a artista jamais se distancia da entrega de canções centradas na delicadeza dos versos e arranjos acústicos menos complexos. É o caso de Night & Day, uma ode à noite que destaca a sensibilidade poética da artista. O mesmo pode ser percebido em Peacemaking, faixa que avança aos poucos, revelando cada novo instrumento sem jamais corromper a estrutura pensada para o trabalho.
Mesmo quando se permite experimentar e testar pequenas rupturas estéticas, Marathon jamais abandona o gesto contido que define a obra de Maria BC. Há tensão e curiosidade sonora, mas nada verdadeiramente transgressor. Cada tentativa de desvio logo retorna ao mesmo eixo acústico e controlado, fazendo com que a proposta exploratória do registro exista mais como variação de intensidade do que como quebra efetiva.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.