Ano: 2026
Selo: Arts & Crafts
Gênero: Rock, Indie Rock
Para quem gosta de: Wolf Parade e Yo La Tengo
Ouça: Not Around Anymore, The Call e Hey Amanda
Ano: 2026
Selo: Arts & Crafts
Gênero: Rock, Indie Rock
Para quem gosta de: Wolf Parade e Yo La Tengo
Ouça: Not Around Anymore, The Call e Hey Amanda
Como um amigo querido que retorna após uma longa viagem, os integrantes do Broken Social Scene têm muita história para contar em Remember The Humans (2026, Arts & Crafts). Primeiro registro de inéditas do coletivo canadense em nove anos, o sucessor de Hug of Thunder (2017) deixa de lado a urgência dos trabalhos anteriores para investir em uma obra marcada pela delicadeza e o forte aspecto contemplativo.
A própria escolha de Not Around Anymore como faixa de abertura torna isso bastante explícito. Enquanto os versos tratam sobre esgotamento emocional e desapego diante de um mundo que simplesmente perdeu sentido, arranjos calculados, melodias e orquestrações sublimes se espalham de maneira atmosférica. São delicadas camadas instrumentais, como sedimentos sonoros que mais ocultam do que buscam revelar algo.
Claro que isso não interfere na entrega de canções que destacam a potência da banda em estúdio. É o caso de The Call. Com a bateria em primeiro plano, a música, atravessada por metais, guitarras e vozes, traz de volta a mesma atmosfera de obras como You Forgot It in People (2001) e Forgiveness Rock Record (2010). O mesmo pode ser percebido em Relief, criação dominada pelo uso dos sintetizadores e batidas eletrônicas.
Sobrevive justamente no equilíbrio entre esses momentos de ruptura e a predominante suavidade da obra a real beleza do material. É como se Kevin Drew e seus companheiros de banda soubessem exatamente a melhor forma de administrar cada um desses instantes. São faixas como Mission Accomplished (Kingfisher) e Hey Amanda que, mesmo destacadas, jamais prejudicam a fluidez estrutural de Remember The Humans.
Naturalmente, por se tratar de uma obra que prioriza o clima, as texturas e a progressão no lugar das vozes imediatas e versos explosivos, Remember The Humans é um álbum que exige tempo até ser absorvido pelo ouvinte. Embora intencional, esse direcionamento não justifica os momentos de morosidade e as pequenas repetições de arranjos que invadem a segunda metade do registro, prejudicando o andamento do material.
Mesmo pontuado por momentos de maior instabilidade, Remember The Humans talvez seja o trabalho que mais destaca o refinamento dos versos. São canções que tratam sobre amor, fragilidade e necessidade de conexão, porém, partindo de uma abordagem diferente, como um acúmulo natural das vivências e dores sentidas por cada membro da banda nesses anos de parcial reclusão. Um belo retorno, ainda que sóbrio.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.