Ano: 2026
Selo: Neon Gold Records / Futures
Gênero: Indie Pop
Para quem gosta de: Robyn e Lorde
Ouça: Lucky Again e Knife In The Heart
Ano: 2026
Selo: Neon Gold Records / Futures
Gênero: Indie Pop
Para quem gosta de: Robyn e Lorde
Ouça: Lucky Again e Knife In The Heart
Lykke Li talvez não tenha tomado as melhores decisões nos últimos anos, mas isso parece resolvido em The Afterparty (2026, Neon Gold Records / Futures). Depois de se aventurar pelo trap no disco So Sad So Sexy (2018) e testar uma abordagem ainda menos convencional em Eyeye (2022), a cantora sueca retorna com um álbum curto, sofisticado e fiel à identidade melancólica que vem sendo construída desde os anos 2000.
Anunciado como o sexto e, possivelmente, último trabalho de estúdio da cantora, The Afterparty resgata o que há de melhor no som da artista. São baladas românticas e momentos de profunda vulnerabilidade que distorcem o pop tradicional e o adaptam ao universo de Li. É como um misto de regresso e fina corrupção de tudo que foi testado nos iniciais Youth Novels (2008), Wounded Rhymes (2011) e I Never Learn (2014).
Não por acaso, a artista sueca recrutou alguns dos principais produtores que a acompanharam ao longo da carreira. É o caso de Dave Sitek, Rick Nowels e o velho colaborador Björn Yttling, parceiro desde o primeiro álbum de estúdio. O resultado desse processo está na entrega de uma obra deliciosamente nostálgica, mas que em nenhum momento busca emular aquilo que foi consolidado pela cantora nos registros anteriores.
Terceira faixa do disco, Lucky Again sintetiza isso de maneira bastante eficiente. Ainda que a percussão de Yttling acene para o repertório de Wounded Rhymes, o flerte com a música disco leva a artista para outras direções, lembrando o encontro de Li com Mark Ronson, em Late Night Feelings (2019). A própria canção de abertura, Not Gon Cry, com elementos que vão do soul ao pop eletrônico, indica essa riqueza de ideias.
Claro que esse evidente frescor não distancia Li das canções dramáticas que a consolidaram no começo da década passada. Em Knife In The Heart, por exemplo, a cantora surge amparada por uma orquestra de 17 músicos. Já em Sick of Love, chama a atenção o reducionismo dos elementos, com a artista mergulhando em um pop enevoado que evoca nomes como Beach House, ainda que preservando a própria identidade.
Liricamente ancorado em temas bastante familiares dentro da obra de Li, como a conflituosa relação com o amor e a busca por estabilidade emocional, The Afterparty talvez não seja o registro mais transgressor da artista sueca, porém convence pela força dos sentimentos. Entre versos confessionais e momentos de forte vulnerabilidade, a cantora mais uma vez utiliza dos próprios conflitos para dialogar e estreitar laços com o ouvinte, fazendo dessa permanente sensação entrega o principal elemento de sustentação do trabalho.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.