Ano: 2026
Selo: ANTI-
Gênero: Rock
Para quem gosta de: The Shins e Band of Horses
Ouça: Punching the Flowers e How Heavenly a State
Ano: 2026
Selo: ANTI-
Gênero: Rock
Para quem gosta de: The Shins e Band of Horses
Ouça: Punching the Flowers e How Heavenly a State
Ainda que os arranjos acústicos e o reducionismo da introdutória Full of Stars apontem para o trabalho do Death Cab For Cutie nos anos 2000, I Built You A Tower (2026) está longe de parecer um disco nostálgico. Inspirado pelo recente divórcio do vocalista e líder Ben Gibbard, além de diferentes frustrações, conflitos e perdas pessoais, o sucessor de Asphalt Meadows (2022) é um registro consumido pelo peso do presente.
A diferença em relação a outros trabalhos do gênero, incluindo discos produzidos pelo próprio Death Cab For Cutie, está na maneira como o artista encara tudo com sobriedade, firmeza e livre de autocomiseração. “Estou tentando me manter firme, estou tentando dormir a noite toda”, canta Gibbard em Stone over Water, música que, mesmo sufocada pela dor da partida, revela o esforço diário do eu lírico em seguir em frente.
E se os versos dão impulso, a base instrumental acompanha. Das guitarras enérgicas e melódicas às linhas de baixo sempre destacadas de Nick Harmer, desde Narrow Stairs (2008) que o grupo de Bellingham não demonstrava tamanha fluidez em estúdio. A própria bateria de Jason McGerr, tão econômica nos últimos discos, agora ganha mais importância, ditando os rumos de faixas como Punching The Flowers e Riptides.
Observado atentamente, I Built You A Tower talvez seja o disco mais denso e sujo já produzido pela banda. Em How Heavenly a State, perceba como as distorções rasgam a canção que ainda destaca a urgência das batidas e a suculência da linha de baixo. Esse mesmo direcionamento embala a derradeira música-título, canção que, em sua segunda versão dentro do álbum, avança de maneira quase opressiva sobre o ouvinte.
Apesar da notável mudança de direção, I Built You A Tower ainda concentra todos os componentes de um típico disco do Death Cab For Cutie. Do lirismo melancólico que evoca obras como Transatlanticism (2003), passando pelas guitarras melódicas que invadem faixas como Pep Talk, sobram momentos em que o grupo se conecta ao próprio passado sem deixar de inovar, conceito que se reflete até os minutos finais do álbum.
Parte desse resultado vem da escolha do Death Cab For Cutie em, mais uma vez, colaborar em estúdio com o produtor John Congleton, parceiro desde o registro anterior. O resultado desse processo está na entrega de um álbum que revisita velhas características da banda, mas as apresenta sob uma perspectiva madura, efeito direto das experiências acumuladas por Gibbard ao longo dos anos e agora convertidas em canção.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.