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Crítica

Ibeyi

: "Offering"

Ano: 2026

Selo: Awal

Gênero: R&B, Soul, Art Pop

Para quem gosta de: Kelsey Lu e Moses Sumney

Ouça: Aset, Offerings e Hurry Hurry

7.9
7.9

Ibeyi: “Offering”

Ano: 2026

Selo: Awal

Gênero: R&B, Soul, Art Pop

Para quem gosta de: Kelsey Lu e Moses Sumney

Ouça: Aset, Offerings e Hurry Hurry

/ Por: Cleber Facchi 18/08/2026

Se em Spell 31 (2022) as irmãs Lisa-Kaindé e Naomi Diaz tratavam sobre controle, em Offering (2026, Awal) a dupla franco-cubana canta sobre entrega. Quarto e mais recente trabalho de estúdio do Ibeyi, o registro destaca a sensibilidade poética e a reconexão das duas artistas com a própria ancestralidade, conceito que vai da intensa relação com elementos da cultura Iorubá à multiplicidade de idiomas, ritmos e sentimentos.

Não faço mais feitiços. Agora faço oferendas”, reforça a dupla em Offerings. Uma das primeiras músicas do disco a serem reveladas ao público, a faixa que fala sobre dor, cura e transformação a partir da ruptura de velhos ciclos sintetiza a força poética que move o álbum. São versos sempre confessionais que se espalham em uma cama de arranjos e bases minimalistas, destacando a força das vozes lançadas pelas duas artistas.

Ainda que muitos desses elementos partilhem de conceitos que têm sido incorporados pelas duas artistas desde a entrega do autointitulado disco de estreia, a intenção e os temas agora são outros. Primeiro álbum de inéditas da dupla desde o fim do contrato com a XL Recordings, Offering parece guiado por um senso de libertação que transcende os versos e se reflete na colorida combinação de estilos que orienta o trabalho.

Em Aset, logo nos minutos iniciais, são os ritmos afro-caribenhos que invadem o trabalho. Já em Moshpit, é a atmosfera sombria, quase opressiva, que amplia aquilo que a dupla havia testado em Ash (2017). Surgem ainda faixas como a ritualística Olokun, um canto de saudação com versos em iorubá, e La tendresse d’un mot, única parceria do registro e um delicado diálogo instrumental com o pianista francês Sofiane Pamart.

Mesmo quando Lisa-Kaindé e Naomi se aproximam de uma linguagem pop, como na faixa Hurry Hurry, há sempre um componente rítmico ou instrumental que eleva o repertório da dupla. São entalhes jazzísticos, o uso calculado da percussão e até vozes carregadas de efeitos que contrastam e complementam a habitual limpidez que define o trabalho das duas artistas, esmero que se reflete até a chegada da derradeira Lucky.

Meticuloso, como tudo aquilo que a dupla tem explorado desde o início da carreira, Offering dialoga com o passado recente do Ibeyi sem necessariamente se repetir. A produção reducionista e o uso das harmonias de vozes sofisticadas ainda regem o trabalho das duas artistas, a diferença está na maneira como as irmãs Diaz criam pequenos pontos de ruptura emocional, lírica e sonora que levam o disco para outras direções.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.