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Crítica

The Strokes

: "Reality Awaits"

Ano: 2026

Selo: Cult Records / RCA

Gênero: Rock

Para quem gosta de: The Voidz e The Killers

Ouça: Dine N'Dash e Going to Babble On

5.0
5.0

The Strokes: “Reality Awaits”

Ano: 2026

Selo: Cult Records / RCA

Gênero: Rock

Para quem gosta de: The Voidz e The Killers

Ouça: Dine N'Dash e Going to Babble On

/ Por: Cleber Facchi 30/07/2026

O uso desmedido do auto-tune está longe de ser o principal problema do grupo nova-iorquino The Strokes em Reality Awaits (2026). Sequência ao material entregue no pandêmico The New Abnormal (2020), disco que apresentou o projeto a uma nova parcela de ouvintes, o álbum produzido por Rick Rubin mostra uma banda pouco inspirada, repetitiva e que, mais uma vez, parece apenas cumprir contrato com a gravadora.

Com os limites cada vez mais borrados entre o que Julian Casablancas tem produzido no The Voidz e com os antigos companheiros de banda, Reality Awaits se sustenta em um repertório que alterna entre o desejo sutil de experimentar e a autorreferência. É como se o mesmo som retrô que vem sendo reproduzido desde os álbuns Angles (2011) e Comedown Machine (2013) fosse novamente replicado pelo quinteto em estúdio.

A questão é que, diferente dos trabalhos anteriores, Reality Awaits parece realmente feito na má vontade. A bateria de Fabrizio Moretti, por exemplo, surge apagada dentro do disco ou reduzida a compassos simples. O mesmo acontece com as guitarras de Nick Valensi, essenciais durante os anos iniciais do quinteto, porém totalmente discretas dentro do presente álbum. O músico sequer deve participar da turnê de divulgação da obra, sendo substituído por Steve Schiltz, do Longwave, grupo que surgiu na mesma época que os Strokes.

Nem Casablancas, principal articulador do grupo, parece capaz de sustentar a própria obra, com o artista consumido pela ironia, ambiguidade e um claro enfraquecimento no impacto de suas mensagens. O músico consegue ser mais pertinente nos poucos minutos em que conversou com o humorista Kareem Rahma, em sua polêmica passagem pelo SubwayTakes Uncut, do que em qualquer uma das canções do presente disco.

Ainda assim, Reality Awaits tem seus momentos de inegável acerto. É o caso de Going to Babble On, música que concede destaque aos instrumentos, ganha ritmo e acena para os antigos trabalhos da banda sem se repetir. A própria Going Shopping, mesmo consumida pelo uso do auto-tune, chama a atenção pela fluidez que evoca The Modern Lovers e os versos que tratam sobre alienação social, consumo e envelhecimento.

Pena que, para cada boa composição, há sempre uma contraparte de duas ou mais músicas que tornam a audição do trabalho insuportável. De baladas arrastadas, como Falling Out Of Love, passando pela tentativa dos Strokes em replicar o passado, como em Lonely In The Future, sobram momentos em que a banda se perde dentro dela mesma, sendo incapaz de preservar o próprio legado criativo ou de realmente arriscar.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.