Ano: 2026
Selo: Selo Sesc Minas Musical
Gênero: Indie Rock
Para quem gosta de: Besouro Mulher e YMA
Ouça: Alameda Travessia e Anjo de Papel
Ano: 2026
Selo: Selo Sesc Minas Musical
Gênero: Indie Rock
Para quem gosta de: Besouro Mulher e YMA
Ouça: Alameda Travessia e Anjo de Papel
Com um título quilométrico que deixaria Fiona Apple orgulhosa, Às vezes um sonho pode ser um planeta inteiro ou uma canção ou uma cama com travesseiro de pluma de ganso ou um apagão ou a grande luz no meio desse grande túnel no qual estamos inegável infalível incansavelmente passageiros (2026) encanta o ouvinte pela ausência de certeza. Dividido entre o onírico e a realidade, o presente e a nostalgia, o segundo álbum do grupo mineiro Varanda amplia as potencialidades do quarteto que estreou com Beirada (2024).
Longe do pop rock ensolarado que revelou o grupo formado por Amélia do Carmo, Augusto Vargas, Mario Lorenzi e Bernardo Bara, Às Vezes Um Sonho chama a atenção pela densidade dos temas. São canções que tratam sobre as incertezas da vida, relações confusas e momentos de maior instabilidade emocional, que não apenas elevam criativamente, como ampliam o campo de atuação da banda mineira dentro de estúdio.
A própria escolha em inaugurar o disco com Alameda Travessa funciona como uma boa representação de tudo aquilo que o grupo busca desenvolver ao longo do trabalho. Enquanto os arranjos ganham forma aos poucos, sem pressa, versos que passeiam em meio a paisagens reais e fictícias, encontros e desencontros, ajudam o ouvinte a se familiarizar com a densidade poética que orienta o quarteto no decorrer do material.
Mesmo quando a urgência toma conta, como em Labirinto, o quarteto nunca percorre o caminho mais fácil, mergulhando em uma sequência de faixas que se completam liricamente na cabeça do próprio ouvinte. Do encontro com Fernanda Takai, em Sereno, à contrastante divisão das vozes, na derradeira Planeta Sonho, cada nova composição do trabalho leva a banda mineira para um novo e sempre curioso território poético.
Ainda que essas possibilidades sejam ampliadas, o grupo mantém firme a consistência e a íntima relação entre as faixas durante toda a execução do material. Com produção caprichada de Fernando Rischbieter, o registro alcança um fino ponto de equilíbrio entre o pop empoeirado dos anos 1960 e o rock da década de 1990, conceito bem representado na já conhecida Anjo de Papel, espécie de composição-síntese do álbum.
Se, por um lado, essa abordagem concede homogeneidade ao disco, por outro, revela algumas fragilidades do registro, como o canto contido da vocalista e estruturas bastante similares na aplicação das guitarras e na linha de baixo. Não por acaso, é quanto a banda mais se permite crescer em estúdio, como em Alameda Travessa e Planeta Sonho, que o trabalho revela a força e íntima relação de cada integrante em estúdio. Um misto de moderação e gradativa libertação que aponta para o futuro sem deixar de convencer no presente.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.