Ano: 2026
Selo: New West
Gênero: Country
Para quem gosta de: Kacey Musgraves e Waxahatchee
Ouça: Goodbye to All That e Hum of the City
Ano: 2026
Selo: New West
Gênero: Country
Para quem gosta de: Kacey Musgraves e Waxahatchee
Ouça: Goodbye to All That e Hum of the City
A imagem de Jess Williamson, debruçada na porta de uma antiga caminhonete, ajuda a entender parte do conceito que move o repertório de A Mile South of Heaven (2026). Sequência ao material apresentado pela artista em Time Ain’t Accidental (2023), o registro deixa de lado o romantismo agridoce do álbum anterior para mergulhar em um disco que se aprofunda nas tensões entre a vida no campo e nas grandes cidades.
Em geral, são faixas que tratam sobre a busca por um lugar para chamar de seu, sem jamais conseguir se fixar. Instantes em que Williamson se divide entre o conforto do interior, enquanto sente falta dos excessos e da movimentação urbana. Um contrastante jogo de sensações, proposta que faz lembrar das composições do ainda recente Middle of Nowhere (2026), álbum que destaca o lado contemplativo de Kacey Musgraves.
Exemplo disso fica bastante evidente na melancólica Hum of the City. “No meio da mata, sinto o zumbido da cidade”, canta a artista. São versos que destacam a sensação de não pertencimento, a solidão e as angústias que consomem a cantora. O próprio lirismo descritivo do trabalho parece contribuir ainda mais para esse resultado. É como se a mente de Williamson vagasse por diferentes cenários de maneira sempre detalhista.
Embora consumido pelas inúmeras inquietações de Williamson, A Mile South of Heaven oferece ao ouvinte alguns respiros. Em High Heels and Blue Jeans, por exemplo, a artista canta sobre a superação do trauma e a dor do término em um chamado para a vida noturna. O mesmo acontece na faixa-título do disco, canção que retrata a busca da compositora por autoaceitação e redenção ao navegar pelas imperfeições da vida.
Não por acaso, são justamente nesses momentos em que Williamson e o produtor Shooter Jennings mais se permitem avançar em estúdio, incorporando novas tonalidades, estruturas e arranjos menos comportados. No restante do álbum, predomina a atmosfera árida e o diálogo atento da artista com a produção dos anos 1970, como se a cantora acenasse para veteranos do período sem jamais perder o contato com o presente.
Esse equilíbrio de forças garante ao público o trabalho mais consistente de Williamson. Ainda que falte ao disco o mesmo caráter provocativo e o uso de estruturas pouco convencionais estabelecidas em Time Ain’t Accidental, a ambientação estradeira e o cuidado na elaboração dos arranjos convencem sem dificuldades, proposta que naturalmente faz de A Mile South of Heaven um novo e delicado capítulo na obra da cantora.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.