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Crítica

Kacey Musgraves

: "Middle of Nowhere"

Ano: 2026

Selo: Lost Highway

Gênero: Country, Pop

Para quem gosta de: The Chicks e Miranda Lambert

Ouça: I Believe In Ghosts, Loneliest Girl e Dry Spell

7.8
7.8

Kacey Musgraves: “Middle of Nowhere”

Ano: 2026

Selo: Lost Highway

Gênero: Country, Pop

Para quem gosta de: The Chicks e Miranda Lambert

Ouça: I Believe In Ghosts, Loneliest Girl e Dry Spell

/ Por: Cleber Facchi 07/05/2026

Pela primeira vez desde o celebrado Golden Hour (2018), Kacey Musgraves parece realmente segura com aquilo que busca desenvolver em estúdio. Depois de refletir sobre o próprio processo de separação, tema central de Star-Crossed (2020), e mergulhar no repertório do contemplativo Deeper Well (2024), a cantora e compositora estadunidense faz um curioso retorno às origens no confessional Middle of Nowhere (2026).

Mais uma vez acompanhada de Daniel Tashian e Ian Fitchuk, com quem tem colaborado em estúdio desde o fim da década passada, Musgraves estreita laços com o country em uma obra que trata sobre incertezas emocionais e relações instáveis, refletindo sobre um período de isolamento e apreço pela própria solidão. É como se a artista substituísse a confusão sentimental e sonora dos discos anteriores por um material sóbrio.

Estou ficando melhor em ficar sozinha”, confessa em Loneliest Girl, composição que sintetiza essa postura consciente de Musgraves em relação aos próprios sentimentos. Mesmo a faixa-título do disco, posicionada logo na abertura do álbum, indica essa mudança de postura da artista, retratando o desejo de isolamento como forma de encontrar a paz interior, sempre distante de expectativas externas ou relações frustrantes.

Claro que essa mudança de postura não interfere na entrega de faixas bem-humoradas ou emocionalmente explícitas. Em Dry Spell, por exemplo, a artista canta sobre abstinência sexual, revelando uma abordagem mais espirituosa e sarcástica. Já em I Believe In Ghosts, Musgraves não apenas investe em uma composição voltada ao pop, como ainda se entrega emocionalmente, lembrando as canções agridoces de Golden Hour.

Embora parta de uma abordagem bastante particular, Middle of Nowhere acaba se revelando como a obra mais colaborativa de Musgraves. São parceiros como Gregory Alan Isakov, Miranda Lambert e Billy Strings que contribuem para o desenvolvimento do trabalho. O destaque acaba ficando por conta da presença do veterano Willie Nelson, em Uncertain, TX, curiosa criação que ainda aproxima a cantora da música tejana.

São justamente esses pequenos atravessamentos de informações, diferentes parceiros criativos e momentos de ruptura que engrandecem o repertório de Middle of Nowhere. Mesmo que muitas das canções utilizem elementos originalmente testados em registros como Same Trailer Different Park (2013) e Pageant Material (2015), a sutil tensão proposta por Musgraves é suficiente para garantir identidade, beleza e força ao disco.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.