Ano: 2026
Selo: XL
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Shame e Idles
Ouça: Six Shot Morning e Happy For You
Ano: 2026
Selo: XL
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Shame e Idles
Ouça: Six Shot Morning e Happy For You
Se em Romance (2024) a inserção de guitarras melódicas e versos pegajosos aproximou o Fontaines D.C. do pop, em Dopamine Chamber (2026) o grupo irlandês segue o caminho oposto. Marcado pela atmosfera melancólica, o álbum preserva o caráter acessível do trabalho que o antecede, porém incorpora diferentes tonalidades que dialogam com a temática existencialista e as ambientações soturnas que invadem o disco.
Exemplo disso fica bastante evidente na introdutória Six Shot Morning. Enquanto os versos da composição refletem sobre excessos, desconexão urbana e os custos da fama, sintetizadores sombrios e batidas quase industriais tratam de ambientar o ouvinte. É como se o quinteto dialogasse com as criações de veteranos como Depeche Mode e The Cure sem necessariamente corromper a própria identidade criativa e essência.
Livre da urgência que marca o registro anterior, Grian Chatten e seus companheiros de banda avançam em uma medida própria de tempo, sem pressa. São músicas como Marianne e Mimesis que parecem pensadas para envolver o ouvinte. Mesmo quando o grupo estreita laços com outros colaboradores em estúdio, como a cantora Rosalía, em Where Is Gone?, tudo parece trabalhado dentro de uma mesma atmosfera sufocante.
Claro que isso não interfere na entrega de faixas ainda íntimas dos antigos registros da banda. É o caso de Happy For You. Mesmo invadida pela ambientação soturna do restante do trabalho, a canção ganha forma e cresce, revelando a potência do grupo no refrão matador. A própria Demolition, vinda em sequência, é outra que fascina pela forma como o quinteto avança sobre o ouvinte sem qualquer chance de escapatória.
Mesmo quando o trabalho começa a perder fôlego, no encontro de faixas como Tongue e One Man, o grupo encontra sempre uma forma de se reerguer. É difícil passar por composições como You Miss Me, com seus arranjos de cordas ascendentes, e não ser prontamente arrebatado pela banda, conceito que se reflete até os minutos finais do registro, em Intimate, canção que faz lembrar de nomes como Interpol e The National.
Apesar do incontestável esmero, que ainda contou com a produção caprichada de James Ford, Dopamine Chamber não oferece grandes rupturas estéticas ao ouvinte. Do lirismo contemplativo à atmosfera escura, tudo soa como uma extensão do mesmo universo desbravado em Skinty Fia (2022). A principal diferença está na forma como a banda atualiza suas temáticas com inteligência e cresce em estúdio sem se repetir.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.