Ano: 2026
Selo: Modular
Gênero: Eletrônica
Para quem gosta de: Daft Punk e Jamie XX
Ouça: Together e All The Time In The World
Ano: 2026
Selo: Modular
Gênero: Eletrônica
Para quem gosta de: Daft Punk e Jamie XX
Ouça: Together e All The Time In The World
O tempo e a forma como nos relacionamos com ele são as principais ferramentas de trabalho do projeto australiano The Avalanches. Desde a estreia com o cultuado Since I Left You (2000), o grupo encabeçado por Robbie Chater e Tony Di Blasi sempre encontrou mecanismos para revisitar o passado não apenas de maneira nostálgica e expositiva, mas como parte de uma narrativa sensorial, historiográfica e sentimental.
Em No Bad Memories (2026), primeiro álbum de inéditas desde We Will Always Love You (2020), o grupo usa trechos de jingles publicitários e as lembranças construídas a partir de antigas propagandas para se conectar com o ouvinte. São retalhos que atravessam os anos 1990 e 2000 para transformar frases banais em gatilhos automáticos de memória, gerando relação imediata a partir de um sentimento nostálgico que é tão particular quanto coletivo. E isso vai além de um artifício estético ou oportunista para os dois músicos.
Durante toda a execução do trabalho, Chater e Di Blasi usam esses fragmentos nostálgicos como elementos estruturais para a construção das composições. Em Together, por exemplo, é o toque de celular dos antigos aparelhos da Nokia e a repetição da marca Toshiba que compõem a faixa assinada em parceria com Nikki Nair, Jessy Lanza e Prentiss. Nada que diminua o espaço do rico catálogo de samples da dupla australiana.
Longe do formato tradicional abordado em Wildflower (2016) e We Will Always Love You, Chater e Di Blasi resgatam o conceito de audição contínua de Since I Left You, costurando as canções a partir de retalhos de diferentes épocas. Da bossa nova de Baden Powell e Vinícius de Moraes, em All the Time in the World, doce parceria com Rivers Cuomo, Baby Marlboro e Vegyn, aos efeitos estilizados de Khadija Al Hanafi, na faixa Like Clockwork / Hit By Traffic, há espaço para tudo. Mesmo os convidados parecem surgir como samples.
Exemplo disso pode ser percebido em Blue Shadows, faixa que mescla trechos de uma música de 1983 com as vozes enevoadas de Karen O, do Yeah Yeah Yeahs. Chater e Di Blasi autorizam até que outros produtores, como Jamie XX, incorporem seu próprio estilo ao trabalho. É difícil ouvir Every Single Weekend, com seus sintetizadores arrojados, e não pensar nela como uma música vinda diretamente do disco In Waves (2024).
Naturalmente, esse volume excessivo de canções, diferentes parceiros criativos, interlúdios e samples torna a experiência de ouvir No Bad Memories labiríntica e até mesmo exaustiva, mas nunca desinteressante. A cada nova curva do trabalho, há sempre um componente nostálgico, sonoro e emocional aguardando pelo ouvinte. É como se Chater e Di Blasi fizessem do repertório montado ao longo do material uma investigação apaixonante sobre o que ainda resta da memória coletiva em uma sociedade cada vez mais fragmentada.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.