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Crítica

Mari Herzer

: "Rainbow Flick"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Eletrônica, IDM

Para quem gosta de: Aphex Twin e Autechre

Ouça: Rainbow Flick, Trivela e Origem

8.3
8.3

Mari Herzer: “Rainbow Flick”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Eletrônica, IDM

Para quem gosta de: Aphex Twin e Autechre

Ouça: Rainbow Flick, Trivela e Origem

/ Por: Cleber Facchi 06/11/2026

No futebol, rainbow flick, ou lambreta no Brasil, é o nome dado ao drible que consiste em levantar a bola com os pés e passá-la por cima do próprio corpo e do adversário em uma trajetória que lembra um arco-íris. Embora limitado ao esporte em questão, o título sintetiza de maneira natural o percurso habilidoso e a imprevisibilidade que orientam as canções do segundo álbum de estúdio da artista paulistana Mari Herzer.

Sequência ao material entregue no também engenhoso Cheia (2022), Rainbow Flick diz a que veio logo na abertura do disco, em Trivela. São pouco menos de seis minutos em que a artista paulistana brinca com a fragmentação das batidas em uma abordagem que lembra o breakbeat de veteranos como Squarepusher e Autechre, porém atravessada por ambientações etéreas, texturas e o característico som sinuoso de Herzer.

Esse mesmo caráter atmosférico fica ainda mais evidente com a chegada da própria música-título do disco, vinda em sequência. Inaugurada em meio a bases soturnas e batidas incertas, a faixa ganha forma e cresce aos poucos, capturando a atenção do ouvinte. É como um lento desvendar de sensações, ritmos e melodias sintéticas que destacam o domínio e a capacidade da produtora em administrar cada mínimo componente.

Com a entrega de In Medias Res, a atenção aos detalhes permanece. Mesmo marcada pelo caráter abstrato, como se as ideias fossem aos poucos se formando na mente de Herzer, perceba como a artista se articula na inserção de ruídos ocasionais, samples aquáticos e texturas sutis que concedem maior profundidade à canção. Instantes em que a produtora se permite experimentar, abrindo passagem para a música seguinte.

Perfumada pela atmosfera nostálgica da década de 1990, Onde A Coruja Dorme talvez seja a faixa em que Herzer mais confessa suas referências. Do uso calculado das batidas aos sintetizadores melódicos, é difícil passar pela música e não lembrar de nomes como Aphex Twin e Boards of Canada. Entretanto, os acenos não reduzem a identidade ou o refinamento técnico da artista, capricho que se reflete até os minutos finais.

Exemplo disso fica bastante evidente em Origem. Composição de encerramento do álbum, a faixa de onze minutos não apenas resgata uma série de elementos testados ao longo da obra, como amplia os horizontes da artista. As batidas dão lugar a captações misteriosas, ruídos metálicos e quebras inesperadas, como se Herzer encontrasse diferentes maneiras de driblar qualquer traço de previsibilidade ao longo do trabalho.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.